Marcha atrás na liderança da Disney
Robert A. Iger regressa ao cargo de CEO da Disney.

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Marcha atrás na liderança da Disney

Bob Iger volta a ser o diretor executivo do grupo após a saída de Bob Chapek que esteve menos de dois anos no cargo.

A Disney anunciou este domingo ter nomeado Bob Iger como novo diretor executivo da empresa, cargo que deixara para Bob Chapek, em 2020, depois de 15 anos nas funções.

A empresa, fundada em 1923, não especificou as razões da partida de Bob Chapek.

"Agradecemos a Bob Chapek pelo serviço à Disney (...), incluindo a orientação da empresa através dos desafios sem precedentes da pandemia" de covid-19, disse a presidente do conselho de administração Susan Arnold, numa declaração.

Bob Chapek assumiu o cargo no início de 2020, precisamente quando a pandemia começou. Teve de gerir o encerramento de parques temáticos e cinemas, mas também a expansão da plataforma de streaming Disney+.

Chamado a regressar à cabeça da Disney, Bob Iger terá de enfrentar grandes desafios para melhorar a situação financeira do grupo. Enquanto alguns o vêem como o homem do destino, o CEO também tem detractores.

Iger assinou um contrato de dois anos, no final do qual deverá ser novamente substituído.

Durante o seu primeiro mandato, Bob Iger transformou o império de entretenimento, entre as aquisições do estúdio de animação Pixar, em 2006, Marvel, em 2009, ou da maior parte dos ativos do antigo grupo 21st Century Fox, em 2019, terminando o mandato com o lançamento da Disney+.

"Este movimento ousado pode parecer o mais correcto", comentou Paolo Pescatore, consultor da PP Foresight" sobre o regresso surpresa de Iger, 71 anos.

"Contudo, a empresa encontra-se noutra fase do seu crescimento", acrescenta o analista. "Levará tempo e o sucesso imediato não é garantido".


Altos e baixos

Uma das principais áreas que a Iger terá de abordar é o negócio de streaming, no qual a Disney tem confiado fortemente nos últimos anos, mas que está a atravessar uma fase difícil.

Quando os resultados trimestrais do grupo foram publicados no início de novembro, o preço das acções da Disney em Wall Street caiu mais de 13%, nomeadamente devido a perdas operacionais de quase 1,5 mil milhões de dólares (1,46 mil milhões de euros)ligadas às plataformas de vídeo (Disney+, ESPN+, Hulu).

"Devemos esperar mais choques e novas perdas no sector do streaming porque não há uma solução rápida para a rentabilidade", advertiu Pescatore. "Isto é preocupante dado que se aproxima rapidamente um período de recessão e os utilizadores serão forçados a fazer compromissos difíceis entre continuar a pagar, ou subscrever um dos muitos outros serviços de streaming", continuou.

No lado positivo, a plataforma Disney+, lançada no final do primeiro mandato de Iger, continua a ganhar assinantes e tinha 164 milhões no final de Setembro.

Mas para Jonathan Kees da Daiwa Capital Markets America, os problemas actuais da Disney são também o resultado de escolhas feitas por Iger. "Insistiu na criação da Disney+, que se tornou um empreendimento comercial dispendioso", disse o analista. Quanto à compra dos activos da 21st Century Fox, considera que "acrescentou uma enorme quantidade de dívida ao balanço da Disney, algo que não é apreciado pelos investidores no mercado de acções actual".

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