Markus Schleinzer: uma grande revelação
Com "Michael", Markus Schleinzer é um nome grande em Cannes/2011

"Michael", de Markus Schleinzer  

Markus Schleinzer: uma grande revelação

Presente na competição com "Michael", Schleinzer revela-se um verdadeiro cineasta -- este é o seu primeiro trabalho como realizador.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Markus Schleinzer: uma grande revelação
Michael O filme centra-se nos cinco últimos meses da vivência comum e forçada entre Wolfgang (David Rauchenberger), um criança de 10 anos, e Michael (Michael Fuith), de 35 anos.

Não é uma questão banalmente mediática. Pode ser um acontecimento genuíno. Que é como quem diz: por vezes, no meio da agitação de um grande festival de cinema, sentimos que estamos perante uma inequívoca revelação.

É o caso, este ano em Cannes, do austríaco Markus Schleinzer: "Michael", a sua primeira realização, é um caso exemplar de abordagem de uma situação perturbante e delicadíssima.

Michael, a personagem central, é um homem de 35 anos, empregado no escritório de uma companhia de seguros. As rotinas da sua vida parecem definir uma figura solitária, distante dos colegas, mas ao mesmo tempo anódino na sua inserção profissional e na sua (falta de) apetência social. Acontece que, na cave de sua casa, Michael tem como seu prisioneiro o pequeno Michael, de 10 anos.

É um filme sobre um pedófilo, mas não é um filme limitado por qualquer visão "especulativa" da pedofilia. Dito de outro modo: Schleinzer, também autor do argumento, traça o retrato minucioso e implacável da indiferença de um Mal que não reconhece a simples existência do outro.

Schleinzer, curiosamente, tinha já um trabalho específico com crianças, por exemplo com Michael Haneke, enquanto director de casting de "O Laço Branco" (o nome de Haneke surge, aliás, incluindo na lista de agradecimentos). É um talento admirável, conciliando a arte da observação psicológica com a precisão narrativa.

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publicado 00:53 - 15 maio '11

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