Mathieu Amalric: francês e universal
Mathieu Amalric: um actor que gosta da realização

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Mathieu Amalric: francês e universal

De novo nas salas portuguesas com "Em Digressão", Mathieu Amalric gosta de alternar (ou combinar, como neste caso) os trabalhos de interpretação e realização: é um dos nomes mais internacionais do cinema francês.

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No próximo ano, Mathieu Amalric vai aparecer em dois filmes (pelo menos...): "Vous N'Avez Encore Rien Vu", de Alain Resnais, e "Cosmopolis", de David Cronenberg. Os nomes envolvidos bastam para sublinhar o fulgor da sua carreira de muitas frentes: actor de enorme prestígio no interior da produção francesa (já ganhou três Césares!), ele é também um nome presente em projectos das mais variadas origens.

Não admira que o reencontremos, agora, na dupla qualidade de actor e realizador: "Tournée / Em Digressão" ilustra, além do mais, a sua capacidade de lidar com um universo peculiar (os espectáculos do "New Burlesque"), combinando de modo sugestivo os artifícios da ficção com a transparência do documentário.

Nascido em 1965, em Neuilly-sur-Seine, começou a trabalhar em cinema em meados dos anos 80, acabando por adquirir a imagem de actor fetiche de Arnaud Desplechin. E é, de facto, nos seus filmes, nomeadamente "La Sentinelle" (1992) e "Comment Je Me Suis Disputé... (Ma Vie Sexuelle)" (1996), que se afirma como uma presença enigmática, oscilando entre a ameaça e a vulnerabilidade.

O seu empenho em realizar concretizar-se-ia em 1997, com "Mange ta Soupe". "Em Digressão" é a sua quarta longa-metragem, depois de "O Estádio de Wembley" (2001) e "La Chose Publique" (2003). Pelo meio, foi consolidando uma invulgar carreira internacional que o fez aparecer, por exemplo, em "Munique" (2005), de Steven Spielberg, "Marie Antoinette" (2006), de Sofia Coppola, e "O Escafandro e a Borboleta" (2007), de Julian Schnabel. Participou ainda no 22º título oficial de James Bond, "007 - Quantum of Solace", sob a direcção de Marc Forster.

Há uma vocação camaleónica no modo de representar de Amalric que, naturalmente, ajuda a explicar este seu ziguezague por produções tão diversas. À boa maneira de algumas grandes referências dramáticas do cinema francês (lembremos o caso emblemático de Jean-Paul Belmondo), ele é alguém capaz de representar os mais insólitos heróis sem perder uma dimensão visceralmente humana.

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publicado 20:21 - 24 abril '11

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