Méliès entre as novidades de Cannes
"Viagem à Lua": feito em 1902, redescoberto em 2011

Cannes 2011  

Méliès entre as novidades de Cannes

Um festival de cinema combina quase sempre os consagrados com as revelações: este ano, no balanço de Cannes, há algumas que vale a pena voltar a referir.

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O que é que num festival de cinema é realmente novo?

Ou melhor, quando conseguimos sentir um efeito de genuína revelação?

O 64º Festival de Cannes foi palco de alguns desses momentos em que sentimos que, de facto, estávamos a assistir à eclosão de qualquer coisa realmente diferente, insólito, inesperado...

Daí o destaque para alguns autores em estreia, mas também para aquele que foi o filme mais antigo de todo o festival!


Viagem à Lua, de Georges Méliès - Cannes classics
Foi feito em 1902 e, 109 anos depois, continuava a ser conhecido apenas a preto e branco. Mas a descoberta, em meados dos anos 90, de uma cópia com as cores originais mudou tudo... Depois de um trabalho de restauro de mais de uma década, o clássico de Méliès, o primeiro mago do cinema, está devolvido à sua pureza artística.
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Sleeping Beauty, de Julia Leigh - Selecção Oficial competição
Da Austrália, chegou uma estranha e perturbante crónica sexual. Ou mais precisamente: um retrato metódico, frio e desencantado, de um comércio de jovens mulheres "adormecidas" pelo poder dos homens. Uma bela estreia na realização de uma autora literária.
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Michael, de Markus Schleinzer - Selecção Oficial competição
Nunca seria fácil fazer o retrato de um pedófilo que rapta uma criança, obrigando-a a viver enclausurada numa cave. O certo é que Schleinzer, austríaco, outro estreante na realização, resiste a qualquer efeito de "parábola", colocando em cena a frieza metódica do Mal: o resultado é um retrato sobre a ténue fronteira entre o banal e o monstruoso.
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The Other Side of Sleep, de Rebecca Daly - Quinzena dos Realizadores
Mais uma estreia, neste caso vinda da Irlanda. Colocando em cena uma personagem sonâmbula (excelente Antonia Campbell-Hughes), a realizadora vai elaborando uma teia de factos evidentes e suposições inquietantes que aproxima o filme de certas coordenadas do terror, ainda que sem nunca cair nas armadilhas do género.
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The Artist, de Michel Hazanavicius - Selecção Oficial, prémio melhor actor
Uma proposta com o seu quê de insensato: fazer o retrato dos tempos finais do cinema mudo através de uma narrativa que "finge" ser um filme da própria época, primeiro sem som, depois descobrindo as delícias do... musical! Vale pelo insólito e pela coragem (hoje rara) de filmar em imagens a preto e branco. 

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publicado 23:09 - 05 junho '11

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