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Memórias de uma luta política e humanista

"Crip Camp: uma Revolução na Inclusão" evoca um campo para pessoas com deficiências que funcionou entre 1951 e 1977, acabando por ter importantes recpercussões sociais e políticas — está nomeado para o Óscar de melhor documentário.

Memórias de uma luta política e humanista
"Crip Camp": lutando pelos direitos civis das pessoas com deficiências
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Nomeado para o Óscar de melhor documentário, "Crip Camp: uma Revolução na Inclusão" (Netflix) é um título que começou por adqurir alguma visibilidade devido ao facto de na sua produção executiva terem estado envolvidos Michelle e Barack Obama. Entretanto, a nomeação da Academia de Hollywood ajudou-o a encontrar novos espectadores.

Estamos, de facto, perante um caso exemplar de memória — histórica, social, política — apoiada num imenso, e muito pedagógico, trabalho sobre os mais contrastados materiais de arquivo: esta é a história de um campo para pessoas atingidas por diversas formas de deficiência — Campo Jened, no estado de Nova Iorque — que funcionou que entre 1951 e 1977.


A consolidação e o impacto do campo não pode ser dissociado da contracultura dos anos 60/70 e, em particular, dos efeitos simbólicos de eventos como o festival de Woodstock, em agosto de 1969. De qualquer modo, o filme dirigido por Nicole Newnham e Jim LeBrecht (ele próprio um dos protagonistas) consegue, assim, a proeza de contar a luta pelos direitos civis dos deficientes, ao mesmo tempo ajudando a conhecer e compreender todo um capítulo da história dos EUA — muito para lá de 1977.

A narrativa de "Crip Camp" é tanto mais envolvente quanto, além de ser alheia a qualquer lugar-comum (paternalista ou piedoso), consegue mostrar, em acção, uma dinâmica muito especial: um movimento que nasce da urgência de integração das pessoas com deficiências, transfigurando-se em genuína luta política conduzida por valores eminentemente humanistas.

Crítica de João Lopes
publicado 01:43 - 19 abril '21

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