Michael Haneke decifra a Europa
Alemanha rural pré I Guerra Mundial:
uma geração educada de forma intolerante

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Michael Haneke decifra a Europa

Para entendermos o presente temos que ir às raízes mais profundas do passado. É isso que faz o realizador austríaco Michael Haneke no filme "Das Weisse Band - O Laço Branco", um candidato forte à Palma de Ouro de Cannes

A luta pela Palma de Ouro em Cannes promete ser renhida e imprevisível. “Das Weisse Band” de Michael Haneke (que descobrimos em filmes como “Funny Games” e “Código Desconhecido”), é mais um daqueles objectos cinematográficos desconcertantes.

A acção passa-se numa comunidade rural protestante alemã, entre 1912 e 1914, pouco antes da I Grande Guerra Mundial. A história segue um conjunto de personagens que habitam a vila: crianças, jovens adolescentes, o barão, o médico, o professor, os agricultores, entre outras. Uma série de acontecimentos estranhos e acidentes, levam a comunidade a procurar os culpados de eventuais crimes.

O filme produz uma reflexão do cineasta sobre as sementes culturais inculcadas a uma geração juvenil responsável pela ascensão do nazismo na Alemanha, duas décadas mais tarde. “Das Weisse Band”de Michael Haneke surge assim como mais uma peça do “puzzle” dele, para entendermos a Europa em que vivemos.

Há algo de íntimo no nosso inconsciente colectivo que nos torna pouco abertos a elementos desviantes ao padronizado comportamento cultural. Michael Haneke em “Das Weisse Band” envolve-nos com vários elementos fundamentais da génese da nossa consciência colectiva, procurando uma matriz para esse espaço onde vivemos chamado Europa.

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publicado 18:05 - 22 maio '09

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