Morreu Rhonda Fleming, Rainha do Technicolor
Rhonda Fleming (1923-2020) — memórias da "idade de ouro" de Hollywood

Obituário  

Morreu Rhonda Fleming, "Rainha do Technicolor"

O nome de Rhonda Fleming é indissociável da produção de 1940/50, ou seja, os tempos gloriosos do classicismo de Hollywood — a actriz americana faleceu aos 97 anos de idade.

Figura emblemática da "idade de ouro" de Hollywood, a actriz Rhonda Fleming faleceu no dia 14 de Outubro em Santa Monica, Califórnia, vítima de pneumonia — contava 97 anos.

De seu nome Marilyn Lewis, foi descoberta para o cinema ainda adolescente — detalhe mitológico: foi o agente Henry Wilson que a descobriu na rua, a caminho do liceu. A sua fotogenia nos filmes a cores da época valeu-lhe um cognome que ficou para a história: "Rainha do Technicolor" (mesmo se é verdade que, por vezes, o mesmo epíteto surge aplicado a Maureen O'Hara).

Títulos como "Na Corte do Rei Artur" (1948), comédia fantasista de Tay Garnett, o western "Buffalo Bill, o Indomável" (1953), de Jerry Hopper, ou o drama policial "O Anjo Escarlate" (1956), de Allan Dwan, contribuiram decisivamente para a sua fama. Num tempo de apoteose dos grandes géneros clássicos, Rhonda Fleming distinguiu-se por uma presença capaz de conjugar mistério e sedução.

Ironicamente, alguns dos filmes mais marcantes em que participou são... a preto e branco. Um deles, "A Casa Encantada" (1945), de Alfred Hitchcock, possui mesmo um valor simbólico especial, já que foi aquele que lhe permitiu superar a condição inicial de "figurante", com o seu nome a surgir pela primeira vez no genérico.

Também a preto e branco, vimo-la, por exemplo, em "Out of the Past/O Arrependido" (1947), a obra-prima do "noir" assinada por Jacques Tourneur, ou "While the City Sleeps/Cidade nas Trevas" (1956), outro "noir", título fundamental do período americano de Fritz Lang [trailer].


Como aconteceu com muitas outras celebridades da mesma geração, a sua carreira foi esmorecendo durante a década de 60, surgindo com mais frequência em produtos televisivos. Um dos últimos títulos importantes em que participou, assumindo o seu próprio papel, foi um clássico da comédia (sobre Hollywood): "The Patsy/Jerry 8 3/4" (1963), de e com Jerry Lewis.

Com uma carreira paralela como cantora, editou dois álbuns, tendo apresentado o seu "show" musical em palcos de Las Vegas e Palm Springs. A sua derradeira longa-metragem seria a comédia "A Bomba Nua" (1980), de Clive Donner, com Don Adams a retomar o seu papel do agente secreto Maxwell Smart, da série televisiva "Get Smart" [trailer].

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publicado 13:58 - 18 outubro '20

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