Morreu o pai de Indiana Jones
"Indiana Jones e a Última Cruzada" — Harrison Ford e Sean Connery: de pai para filho, a grande aventura

Memória  

Morreu o pai de Indiana Jones

A personagem de James Bond é essencial para definir a história cinematográfica de Sean Connery. Mas, quando percorremos as dezenas de títulos da sua filmografia, percebemos que 007 está longe de bastar para definir as suas qualidades de interpretação.

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Obituário
Sean Connery morre aos 90 anos Para sempre recordado como o primeiro James Bond no cinema, o ator morreu durante o sono, nas Bahamas.

Falecido aos 90 anos, retirado há quase duas décadas (o seu derradeiro filme, "Liga de Cavalheiros Extraordinários", tem data de 2003), Sean Connery há muito que está inscrito na história do cinema como eterno James Bond. E há boas razões para isso: a sua fusão de frieza e elegância não encontra equivalente em nenhum dos outros actores que já interpretaram o agente secreto criado por Ian Fleming.

Mas seria francamente inadequado reduzi-lo a tal imagem de marca. Quanto mais não seja porque a sua filmografia de muitas dezenas de títulos envolve uma notável variedade de registos dramáticos, incluindo o surpreendente intimismo melodramático de "Cinco Dias num Verão" (1982), derradeira realização do clássico Fred Zinnemann.

De forma sugestiva e irónica, Steven Spielberg terá definido a dimensão mitológica inerente à persona cinematográfica de Sean Connery, oferecendo-lhe o papel de pai de Harrison Ford, aliás, Indiana Jones em "Indiana Jones e a Última Cruzada" (1989). Dito de outro modo: há nele uma dimensão primitiva e familiar ligada aos primórdios do cinema como grande aventura.

Aventuremo-nos, por isso, na possibilidade de (re)descobrir a carreira de Sean Connery para lá das imagens mais estereotipadas que circulam pelo espaço mediático. Eis sete títulos para conhecermos e reconhecermos a versatilidade de um actor que, como poucos, merece o epíteto de "maior que a vida".

* MARNIE (1964), de Alfred Hitchcock — Produzido depois de "007, Ordem para Matar" (1963) e antes de "007 contra Goldfinger" (1964), contém um dos pares mais desconcertantes, e também mais fascinantes, do universo "hitchcockiano": Tippi Hedren e Sean Connery.


* O HOMEM QUE QUERIA SER REI (1975), de John Huston — Baseado em Rudyard Kipling, esta é uma fábula sobre a sedução, e também a irrisão, do poder, exemplar do desencanto utópico da obra de Huston. Foi a reunião no ecrã de dois velhos amigos: Sean Connery e Michael Caine.

* OUTLAND - ATMOSFERA ZERO (1981), de Peter Hyams — Talvez o filme mais consistente de Hyams (também argumentista), nele se encena uma aventura de ficção científica que, como foi sublinhado na época, possui muitos elementos dramáticos típicos de um "western".

* NUNCA MAIS DIGAS NUNCA (1983), de Irving Kershner — Uma espécie de ajuste de contas pessoal, com Sean Connery a retomar a personagem de James Bond num título que, por razões de direitos autorais, não pertence à filmografia oficial de 007. É, afinal, uma aventura sobre o próprio envelhecimento da personagem e do actor.


* OS INTOCÁVEIS (1987), de Brian De Palma — Incontornável, este é o filme que valeu a Sean Connery o Oscar de melhor actor secundário. A saga do combate do agente federal Eliot Ness (Kevin Costner) contra o gangster Al Capone (Robert De Niro) renasce através da mise en scène deliciosamente barroca de De Palma.

* NEGÓCIOS DE FAMÍLIA (1990), de Sidney Lumet — Sean Connery trabalhou várias vezes sob a direcção de Lumet, a começar por esse invulgar filme de guerra que é "A Colina Maldita" (1965). Aqui, em registo insólito de drama policial, o elenco inclui ainda Dustin Hoffman e Matthew Broderick.

* DESCOBRIR FORRESTER (2000), de Gus Van Sant — Naquele que foi o seu penúltimo filme, Sean Connery interpreta um escritor que não gosta de aparecer em público, assumindo o papel de mentor literário de um jovem (Rob Brown): um exemplo modelar de um depurado classicismo, porventura surpreendente, na trajectória de Gus Van Sant.

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publicado 00:20 - 01 novembro '20

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