Motelx mostra terror português
Imagem do genérico de "A Bruxa de Arroios".

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Motelx mostra terror português

A falta de dinheiro nem sempre é um filme de terror para um produtor de cinema. O MOTELx mostra que o género tem vigor apesar da crise. Eis quatro momentos da seleção nacional 2012 a ter em conta.

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Destaque cinema português no MotelX

Um país em crise pode ser um bom território de inspiração para quem faz filmes de terror em Portugal. A provar que nem tudo passa por ter meios, a selecção de 10 curtas-metragens que está em competição no Motelx 2012 não tem um único filme subsidiado.

"Os filmes de terror podem ser os mais fáceis de realizar nesta altura em Portugal" - a afirmação é do jovem realizador Manuel Pureza que participa pela terceira vez no Motelx, e até hoje nunca conseguiu ter um filme subsidiado.

"A Bruxa de Arroios" volta a ser uma aventura feita com a boa vontade, espírito aventureiro e uma boa dose de humor, que condiz com o género e com a forma mais eficaz para levar a vida por estes dias difíceis no cinema e não só. Manuel Pureza conta com os amigos, pede cenários de televisão emprestados, lança desafios a actores como Rita Blanco, com quem trabalhou em televisão e que aceitou ser uma bruxa de Arroios.

Também compra parte dos efeitos especiais no talho, quando é preciso mostrar vísceras, e não hesita em misturar Cheerios e molho de tomate se quiser ter um cérebro.

"A Bruxa de Arroios": quinta-feira 13 (18h45) sábado 15 (13h15)

É um cinema que segue a linha iniciada pelo colectivo Os Clones, que junta cinco amigos em torno do cinema gore. Participaram duas vezes no Motelx, com os filmes "Papa Wrestling" e "Banana Mother Fucker", e transformaram-se em fenómeno de culto da face mais violenta e gráfica do cinema de terror.

Filmam cabeças cortadas, cérebros esmagados, sangue e tripas, em doses generosas. Tudo temperado com uma dose de consciência sobre este filão muito particular do cinema de terror, não é para levar a sério nem para estômagos mais sensíveis.

Workshop Clones - "Matança da Alegria": sexta 14 (10h00) 
Masterclass Clones: domingo 16 (18h15)


A produção de cinema de terror em Portugal é escassa e vai servindo apenas para alimentar os poucos festivais que dão visibilidade ao género. Por isso, há ainda muito caminho a ser feito, o que é uma vantagem para quem está a começar. É o caso de Paulo Teixeira Rebelo, um jovem que decidiu fazer uma curta metragem com o Coro da Universidade de Lisboa, em homenagem à peça "Três Esconjuros" de Fernando Lopes Graça.

O filme "Leito de Maldição" é um exercício de pura originalidade, suportado pelo texto dos esconjuros, feito sem diálogos, com voluntários do coro e todo o ambiente criado em torno das crenças e dos mistérios da tradição rural portuguesa.

"Leito de Maldição": sexta-feira 14 (21h30) sábado 15 (13h15)

Uma outra proposta que passa pela paisagem rural, é o filme "O Reino" de Paulo Castilho, sobre um guarda ao serviço de um rei, que talvez tenha alguma dificuldade em perceber o que está a defender.

Um filme sobre o isolamento, com uma narrativa suspensa no tempo, algures entre o épico medieval e a actualidade num qualquer lugarejo português.

Paulo Castilho é director de fotografia na produtora Riot Films, mas para fazer cinema, não pode contar com grandes recursos financeiros, mas sim com a equipa a trabalhar sem receber.

Parece ser a sina do cinema de terror em Portugal. Um género que tem pouca visibilidade nas salas do circuito comercial, mas muito agitação nos corredores. Há cineastas a filmar sem recursos, há curtas metragens prontas para serem mostradas, e ideias à solta, em nome de um género que oferece a possibilidade de ser um escape ao real, e uma forma de exorcizar medos e fantasmas.

"O Reino": sábado 15 (00h15) domingo 16 (13h15)

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