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Música, canções e emoções

Começou por ser um projecto insólito no interior da grande máquina de Hollywood: "Assim Nasce uma Estrela" é um filme que corre o risco de relançar uma história clássica, consagrando o talento e a versatilidade de Bradley Cooper e Lady Gaga.

Música, canções e emoções
Bradley Cooper e Lady Gaga — uma clássica história de amor, filmada pela quarta vez
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 Música, canções e emoções
Assim Nasce Uma Estrela Nesta nova versão da trágica história de amor, Jackson Maine, um músico consagrado descobre –se apaixonado por Ally, uma artista em dificuldades. Esta tinha desistido de realizar o sonho de ser cantora até que Jack a ajuda a chegar aos grandes palcos e ao estrelato. Mas enquanto a carreira de Ally descola, o lado pessoal da relação de ambos começa a deteriorar-se, ao mesmo tempo que Jack luta ...

E se, no panorama atribulado do cinema do século XXI, este fosse mesmo o regresso do musical?...

A interrogação regressa com toda a sua nostalgia e sedução. Em todo o caso, creio que vale a pena começar por uma resposta cândida, não tão desencantada quanto poderá parecer: "Assim Nasce uma Estrela", de Bradley Cooper, com o próprio a partilhar o protagonismo com Lady Gaga, não é um musical.

Em boa verdade, os seus antepassados também não o são. Convém recordar, a este propósito, que este filme de 2018 é a quarta versão de uma história que já tinha sido filmada três vezes: com Janet Gaynor e Fredrich March, em 1937, com Judy Garland e James Mason, em 1954, e com Barbra Streisand e Kris Kristofferson, em 1976 (isto sem esquecer que a versão de 1954, dirigida por George Cukor, é uma das obras-primas absolutas do classicismo de Hollywood).

De facto, nenhum desses filmes é um musical: os dois primeiros passam-se mesmo nos bastidores do cinema de Hollywood, sendo o terceiro (precisamente aquele que inspirou directamente a nova versão) um "desvio" para as paisagens da música. Acontece que, de uma maneira ou de outra, todos eles celebram o poder da escrita melodramática.

O menos que se pode dizer do trabalho plural de Cooper (que acumula ainda funções de co-produtor e co-argumentista) é que se mantém fiel à dinâmica dessa escrita, privilegiando as vibrações da história de amor vivida pela sua personagem e pela cantora interpretada por Lady Gaga — trata-se de encenar uma paixão que se exprime através das canções, tanto quanto existe marcada pela dependência do álcool da figura masculina.

Surpresa, talvez (ou talvez não...), será o facto de, para além do impecável canto, Lady Gaga se afirmar como uma actriz genuína, transparente e subtil. Já foi dito e podemos repeti-lo: este será, provavelmente, o filme em que ela própria confirma o sentido primordial do título, nascendo como estrela (cinematográfica). E não será arriscado supor que ela "já" ganhou o Globo de Ouro de melhor actriz (musical/comédia)...

Seja como for, importa sublinhar o essencial. A saber: a performance de Lady Gaga não é uma proeza isolada no interior de "Assim Nasce uma Estrela". Porquê? Porque, para além das canções e, sobretudo, através das canções, o que aqui mais conta é a complexidade afectiva de uma relação vivida na corda bamba de muitas emoções. Se isso contribuir para alguma revalorização da música no interior dos filmes, tanto melhor...

Crítica de João Lopes
publicado 15:59 - 11 outubro '18

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