Na intimidade da vingança

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Na intimidade da vingança

"Katalin Varga" é a história de uma vingança no feminino. E também a revelação de um cineasta, o britânico Peter Strickland, a trabalhar numa coprodução com a Roménia e a Hungria.

Será que existe um cinema europeu capaz de resultar da fusão de várias origens de produção e, ao mesmo tempo, resistente aos clichés da "coprodução/pudim" europeu? A resposta é, obviamente, afirmativa e "Katalin Varga" pode funcionar como exemplo esclarecedor.

Aqui temos, de facto, o resultado de uma aliança invulgar (Grã-Bretanha/Roménia/Hungria), suscitando um objecto insolitamente melodramático, centrado na vingança empreendida pela personagem que dá o título ao filme: Katalin Varga (Hilda Péter), uma mulher que foi violada. Mais do que uma intriga policial, trata-se de um conto bíblico cuja perturbante intimidade nos confronta com as arbitrariedades do poder masculino sobre as mulheres.

O filme tem os limites próprios de um trabalho que, em boa verdade, nunca se decide entre a pura intensificação das suas componentes emocionais e a exploração de um simbolismo mais ou menos rebuscado (em grande parte ligado aos valores paisagísticos). Fica, ainda assim, como um objecto inesperado que, além do mais, revela um nome a ter em conta: o do realizador (britânico) Peter Strickland.

 

Poster de «Katalin Varga» KATALIN VARGA

Depois de revelado um segredo de anos, Katalin Varga é repudiada pelo seu marido e por toda a aldeia, sendo obrigada a partir com Orban, o seu filho de dez anos, numa longa viagem em busca do verdadeiro pai da criança. Ao longo do caminho, as paisagens cada vez mais perturbadoras lembram-na que, no final da jornada a espera o seu passado e, com ele, também a possibilidade de remição.

De Peter Strickland com Hilda Péter, Tibor Pálffy, Norbert Tankó; Drama, Thriller; 84m; M/12; GB, HUN, Rom; 2009
>Ouça a crítica de João Lopes

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