No império de David Lynch
Laura Dern sob o olhar de David Lynch — o que é o cinema?

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No império de David Lynch

Dos filmes às exposições, o trabalho de David Lynch tem uma importante representação no LEFFEST: "Inland Empire", produzido em 2006, poderá simbolizar os maiores desafios e proezas do seu universo criativo.

De que falamos quando falamos de David Lynch?... Convenhamos que nem sempre sabemos muito bem. O que, entenda-se, não diminiu o nosso fascínio pela sua obra e personalidade — ele é, afinal, alguém que nos confronta com os limites, materiais e transcendentais, da nossa própria percepção do mundo.

Pois bem, Lynch volta a estar presente no LEFFEST com um programa que, além de filmes (alguns deles verdadeiras raridades), inclui duas exposições e o lançamento do livro "Espaço para Sonhar", de Kristine McKenna (Monumental: sábado, 24, às 17h00).

Falaremos, então, da sensação paradoxal, porventura insustentável, de não ser possível cicatrizar o real numa descrição/significação que esgote todas as suas dimensões. E não haverá filme mais exemplar dessa dinâmica que o prodigioso "Inland Empire" (2006), afinal o último objecto de cinema que, pelo menos até agora, Lynch assinou.

A história da actriz que anda à procura da sua personagem (admirável Laura Dern!) tem tanto de utopia como de pesadelo, em última instância levando-nos a repensar o cinema, não como a reprodução do que quer que seja, mas sim a produção de um mundo alternativo, incrustado no que vemos ou vivemos. Enfim, "Inland Empire" é um gesto criativo de uma liberdade que, hoje em dia, corremos o risco de já não saber desejar.



* CENTRO CULTURAL OLGA CADAVAL

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publicado 02:16 - 20 novembro '18

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