Nomeações: onde estáRevolutionary Road?
Kate Winslet e Leonardo DiCaprio: pelos caminhos do grande melodrama clássico

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Nomeações: onde está
"Revolutionary Road"?

Feita a contabilidade dos "vencedores" das nomeações, importa também falar dos ausentes ou, pelo menos, dos menos visíveis — "Revolutionary Road", de Sam Mendes, é um dos "esquecidos" do ano

Não quero favorecer aquela atitude simplista que consiste em tentar "compreender" os Oscars a partir de uma pueril teoria de gosto(s). Ou seja: os filmes de que gosto deveriam, obrigatoriamente, estar nomeados; os filmes de que "não gosto" podem ficar esquecidos... Seja como for, também não pretendo fingir-me neutro. E por isso pergunto: que é feito de "Revolutionary Road", o filme de Sam Mendes, com Kate Winslet e Leonardo DiCaprio, adaptado do romance de Richard Yates?

A resposta é: quase não aparece. Ou melhor: está numa posição claramente secundária, obtendo três nomeações, nas categorias de actor secundário (Michael Shannon), direcção artística (Kristi Zea e Debra Schutt) e guarda-roupa (Albert Wolsky).

Parece-me ser um dos filmes mais fulgurantes deste últimos anos da produção americana — pela reafirmação das regras do melodrama socialmente mais desencantado (vêm à memória alguns títulos de Vincente Minnelli, rodados na década de 50, incluindo "The Cobweb/Paixões sem Freio" e "Home from the Hill/A Herança da Carne"); pela delicada relação que estabelece entre os valores sociais e as vivências privadas; enfim, pelo modo como tudo isso se exprime e intensifica nos corpos dos actores.

Dir-se-ia que tais componentes — sem esquecer ainda o facto de refazer a dupla de actores de "Titanic" (1997) — seriam um trunfo, ao mesmo tempo cinematográfico e simbólico, para colocar "Revolutionary Road" entre as principais categorias, incluindo, claro, a de melhor filme do ano.

Que se passa, então? Algo de insólito: dir-se-ia que a Academia de Hollywood resiste a reconhecer um filme que se parece "demasiado" com as características da produção regular dos estúdios clássicos de Hollywood.

Não estão em causa as proezas (muitas e fascinantes) de títulos como "O Estranho Caso de Benjamin Button", "Frost/Nixon" ou "Milk". Trata-se apenas de deixar esta dúvida: até que ponto Hollywood quer, de facto, favorecer uma produção enraizada em conceitos de género ("melodrama", "comédia", "filme de guerra", etc., etc.) ou prefere apostar no modelo de "filme-acontecimento"?

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publicado 17:55 - 29 janeiro '09

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