Nos 104 anos de manoel de Oliveira

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Nos 104 anos de manoel de Oliveira

Manuel de Oliveira celebra a 11 de dezembro o 104º aniversário, concluindo um ano marcado por novos projetos.

Depois de um verão passado a recuperar de uma insuficiência cardíaca, Manoel de Oliveira, o mais velho realizador ainda em atividade, termina um ano que ficou marcado pela estreia do filme "O gebo e a sombra", que passou no festival de Veneza, e pela rodagem da curta-metragem "O conquistador conquistado", a convite de Guimarães Capital Europeia da Cultura.

Atualmente tem outros dois filmes em carteira, ambos em fase de captação de financiamento: "O Velho do Restelo", inspirado em textos de Camões, Teixeira de Pascoaes e Cervantes, e "A Igreja do Diabo", a partir dos contos de Machado de Assis. O produtor Luís Urbano, da companhia O Som e a Fúria, salienta que os dois projetos estão em fase de captação de financiamento. Ambos têm argumento de Manoel de Oliveira,

Manoel de Oliveira diz sempre que é o cinema que o mantém vivo - além de um capricho da natureza que lhe tem dado longevidade - e que o faz ser um dos mais velhos realizadores do mundo em atividade.

"O cinema é a motivação para Manoel de Oliveira viver e não ficar em casa de chinelos a ver televisão", afirma Júlia Buisel, assistente de realização, de cena e atriz, que trabalha com o realizador há mais de trinta anos.

Júlia Buisel escreveu um livro sobre os bastidores do cinema e do teatro, intitulado "Antes que me esqueça", e nele fala sobre a rodagem de alguns dos filmes de Oliveira e sobre a experiência de trabalhar com o realizador.

"É das pessoas mais inteligentes e intuitivas que eu conheço, com um olhar vivo como o da Agustina Bessa Luís e que dá liberdade ao ator, apesar de ser muito rigoroso e preciso", descreveu.

A autora, que em 2002 publicou uma fotobiografia de Manoel de Oliveira, não compreende as diferenças de visibilidade da obra do cineasta em Portugal e no estrangeiro: "O cinema de Manoel de Oliveira obriga a estar e a pensar. Como é que se explica que os japoneses gostam tanto do cinema dele?", questionou a autora do livro "Antes que me Esqueça" que é apresentado nesta quarta-feira em Guimarães.

A investigadora Leonor Areal, que no final do ano passado editou o livro "Cinema Português - Um País Imaginado", espanta-se porque é que ainda há quem pergunte pela importância da obra de Manoel de Oliveira, que na sua opinião é inquestionável.

"Porque já fez mais filmes do que qualquer outro, porque é mais original, inventivo e irreverente. Porque é conhecido e reconhecido em todo o mundo".

Para Leonor Areal, Manoel de Oliveira "é um homem de génio" e a sua obra, assim como todo o cinema nacional, devia ter mais apoios "não apenas por via dos financiamentos, que sempre foram miseráveis, mas também por meio de uma programação consistente e uma promoção adequada - uma sala que fosse - que tivesse por desígnio exibir cinema português".

Manoel de Oliveira nasceu a 11 de dezembro de 1908 no Porto, embora o registo fixe a data de nascimento no dia seguinte. Depois de uma participação num filme de Rino Lupo, em 1928, estreou o primeiro filme, a curta-metragem documental "Douro, faina fluvial" em 1931.

Nestes 80 anos de atividade cinematográfica, com algumas interrupções ainda durante o Estado Novo, Manoel de Oliveira fixou um percurso que é considerado fundamental na história do cinema português, nem sempre consensual, nem sempre compreendido pelo público, mas quase unanimemente elogiado pela crítica.

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