Nos labirintos de Polanski
Roman Polanski: um cineasta
da tragédia íntima das das relações humanas

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Nos labirintos de Polanski

Adaptando um romance de Robert Harris, Roman Polanski está de volta com "O Escritor Fantasma", um magnífico thriller sobre os bastidores da política

Quem conheça minimamente o cinema de Roman Polanski, não poderá deixar de o reconhecer como gestor de um universo labiríntico onde, em última instância, emerge sempre a questão da verdade humana. Nos seus filmes, as personagens cruzam-se, tocam-se e enganam-se num jogo de contrastes que deixa sempre uma angustiada pergunta: será que somos apenas uma máscara? Lembremos, por exemplo, "A Semente do Diabo" (1968), "Chinatown" (1977) ou "Frenético" (1988).

O novo trabalho de Polanski, "O Escritor Fantasma", adaptado de um best-seller de Robert Harris, é mais um exemplo modelar. Aliás, o título envolve uma imediata sugestão de ambiguidade e assombramento: refere-se a um jornalista contratado (Ewan McGregor) para escrever a auto-biografia de um ex-primeiro-ministro do Reino Unido (Pierce Brosnan). A sua aventura consiste, afinal, em lidar com uma teia de factos e suposições que, no limite, desafiam a sua própria sobrevivência.

Polanski consegue filmar esta história vibrante, não como mera variação sobre os modelos correntes do thriller político, mas como uma tragédia íntima das relações humanas -- quem sou eu e, ao ser aquilo que sou, o que é que represento para os outros?

"O Escritor Fantasma" é a prova real, e eloquente, de que o Verão cinematográfico não tem que ser uma colecção mais ou menos ruidosa de "blockbusters" (melhores ou piores, não é isso que está em causa). Há lugar -- continua a haver lugar -- para filmes noutros registos e com diferentes perspectivas. Afinal de contas, a vitalidade de um mercado passa sempre pela diversidade da sua oferta.


 




O ESCRITOR FANTASMA
Um escritor-fantasma é contratado para concluir a autobiografia de Adam Lang, ex-primeiro ministro britânico, iniciada por outro escritor que morreu acidentalmente. O escritor parte para uma ilha onde Lang vive, em quase total isolamento, com a sua mulher Ruth e Amelia, sua assistente e amante. Mas, o que à primeira vista parece a oportunidade de uma vida, revela-se muito mais complexo à medida que o seu trabalho na escrita vai avançando...

De Roman Polanski, Robert Harris com Ewan McGregor, Jon Bernthal, Kim Cattrall; Policial, suspense; 129m; M/12; ALE, FRA, GB; 2009

>Ouça a crítica de João Lopes

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