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Nostalgia, cinefilia & espectáculo

Cineasta português sempre fascinado pela herança mitológica de Hollywood, Bruno de Almeida assina "Cabaret Maxime", um filme de serena nostalgia — com Ana Padrão, Michael Imperioli e John Ventimiglia.

Nostalgia, cinefilia & espectáculo
Ana Padrão dirigida por Bruno de Almeida — sob o signo da "série B"
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Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Nostalgia, cinefilia & espectáculo
Cabaret Maxime "Cabaret Maxime" retrata a historia de Bennie Gaza, o dono de um Cabaret num velho bairro de má fama, onde um colorido grupo de artistas apresenta números musicais, de burlesco, de comédia e strip - tease. Bennie dirige o cabaret como uma família unida, lidando com as personalidades peculiares de cada artista ao mesmo tempo que toma conta de Stella, a sua mulher bipolar. Quando o velho bairro, há ...

Filmar o Cais do Sodré a partir da sua mitologia? Ou contra ela? Dir-se-ia que Bruno de Almeida encontrou uma solução ambígua, ambiguamente fascinante, para responder a tais perguntas. Com o seu "Cabaret Maxime", o Cais do Sodré surge, inequivocamente, como um cenário da noite lisboeta; ao mesmo tempo, tudo se passa como se vogássemos no espaço abstracto de um filme americano de série B, algures nos anos 40/50.

E não será por acaso que somos levados a evocar o cinema americano, em particular um certo espírito independente que, de uma maneira ou de outra, sempre contaminou a produção de Hollywood. Acontece que Bruno de Almeida tem sido, e continua a ser, um cineasta em permanente ziguezague criativo entre Portugal e os EUA. Para mais, reflectindo essa oscilação no elenco de vários dos seus filmes.

Assim, em "Cabaret Maxime" deparamos com um trio de actores que já tinha marcado outra longa-metragem de Bruno de Almeida: "The Lovebirds" (2007), também uma crónica de raiz lisboeta. São eles Ana Padrão, Michael Imperioli e John Ventimiglia. Agora, Imperioli surge como Bennie Gazza (óbvia homenagem a Ben Gazzara), proprietário de um cabaret ameaçado pela "modernização" imposta por grupos não muito cordiais nos seus métodos...

Ana Padrão e John Ventimiglia surgem como personagens desse cabaret enraizado num conceito de espectáculo que a crueza dos tempos parece querer destruir para sempre. Dito de outro modo: este é, de facto, um filme marcado por uma nostalgia cinéfila, serenamente fora de moda, que não abdica do cinema como arte de expor os contrastes afectivos dos humanos — cinema de outro tempo para inscrever um pouco de beleza no nosso desencantado presente.

Crítica de João Lopes
publicado 00:37 - 01 junho '18

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