Reposições  

Nova Vaga, 1958

Prosseguem as reposições de clássicos do cinema francês, esta semana com títulos de Marcel Pagnol, Jacques Becker, Jean Renoir e Louis Malle — o filme de Malle, "Fim de Semana no Ascensor", tem música de Miles Davis.

Nova Vaga, 1958
Jeanne Moreau e Miles Davis — memórias do tempo de "Fim de Semana no Ascensor"
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Miles Davis em Paris? É verdade. No final dos anos 50, começo da década de 60, o genial trompetista foi presença regular na capital francesa, a ponto de se envolver no filme "Fim de Semana no Ascensor" (1958), um projecto de Louis Malle — este é mais um dos títulos na série de reposições de clássicos do cinema francês que constitui um dos grandes acontecimentos da nossa temporada cinéfila de Verão.

Esta é uma história passional que se cruza com componentes de uma intriga policial. Ou seja: com a cumplicidade do seu amante Julien, Florence decide assassinar o marido... Em boa verdade, estamos perante uma "inversão" da clássica investigação "quem, como, onde?". Afinal, desde o começo temos a chave do mistério: o verdadeiro tema é a resistência dos laços amorosos no interior de uma tão conturbada conjuntura moral.


Fotografado a preto e branco pelo grande Herin Decaë, "Fim de Semana no Ascensor" decorre, afinal, de um subtil trabalho de síntese entre uma certa tradição melodramática francesa e as referências, mais ou menos "expressionistas", do cinema "noir" de Hollywood. Hábil gestor de tais influências, Malle é também um excelente director de actores — e o par Jeanne Moreau/Maurice Ronet funciona admiravelmente num registo de muitas e delicadas sugestões eróticas.

Impõe-se, além do mais, uma precisão histórica. É bem certo que, não poucas vezes, situamos o arranque simbólico da Nova Vaga francesa nesse ano mágico de 1959 em que surgiram "O Acossado", "Os 400 Golpes" e "Hiroshima, Meu Amor", respectivamente de Jean-Luc Godard, François Truffaut e Alain Resnais. Pois bem, importa alargar o calendário e lembrar que, um ano antes, Malle era também um criador apostado em encontrar novas sínteses entre o clássico e o moderno — aliás, ainda em 1958, ele assinou ainda o magnífico "Os Amantes", também com Jeanne Moreau.

Crítica de João Lopes actualizado às 23:54 - 03 agosto '18
publicado 23:47 - 03 agosto '18

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