O Oscar que Ben Affleck não ganhou
Ben Affleck dirigindo "Argo": Oscar de melhor filme do ano (mas não o de realizador...)

Oscars 2013  

O Oscar que Ben Affleck não ganhou

Contexto paradoxal: "Argo", de Ben Affleck, ganhou o Oscar de melhor filme do ano, mas o próprio Affleck não está nomeado para melhor realizador. Não houve espaço para Spielberg... repetiu-se a história.

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Sabe que perfume Jessica Chastain vai usar na cerimónia dos Oscars? Pois bem: a variedade "Manifesto", de Yves St. Laurent. Mais do que isso: se estiver nos EUA e quiser encomendar uma embalagem, pode ir ao site da marca e lá a encontra por 102 dólares. Já agora, lembremos que Amy Adams prefere a marca Carita, por acaso disponível na área de Los Angeles, no Sofitel Le Spa, por 125 dólares...

Informações como estas não provêm dos catálogos das respectivas marcas, nem das lengalengas promocionais da imprensa dos "famosos". Nada disso: estão numa galeria dedicada aos "perfumes preferidos das nomeadas", disponível nas páginas de "The Hollywood Reporter", uma das publicações de referência (juntamente com a "Variety") da indústria americana do cinema.

E não vale a pena sermos moralistas. Só por distracção, ou militante cinismo, se pode pensar que os Oscars são alheios a todo um conjunto imenso de estratégias de marketing em que se disputam lideranças de bilheteira, opções de carreira, audiências televisivas e... perfumes.

Por isso mesmo, faz sentido lembrar também que há sempre Óscares (ou, pelo menos, nomeações) que ficam por atribuir. Este ano, torna-se inevitável destacar a ausência de Ben Affleck entre os nomeados para melhor realizador: aliás, a omissão tornou-se tanto mais desconcertante quanto o seu "Argo" ganhou o Oscar de melhor filme do ano, após ter colecionado uma impressionante lista de distinções na temporada pré-Óscares (incluindo, além dos Globos de Ouro, os importantes prémios atribuídos pelas associações de produtores e realizadores de Hollywood).

Daí o paradoxo que sucedeu: "Argo" foi consagrado com o Oscar máximo, sem que o seu realizador obtenha a distinção na sua categoria específica. Nada "sobrou" para Steven Spielberg, pelo seu "Lincoln". Ironia dramática, sem dúvida: em 1999, Spielberg recebeu o Oscar de melhor realizador com "O Resgate do Soldado Ryan" e o melhor filme do ano foi... "A Paixão de Shakespeare".

Billy Wilder, no final desssa obra-prima da comédia que é "Quanto Mais Quente Melhor" (1959), tem uma boa frase que podemos adoptar como moral destas histórias saborosas: "Ninguém é perfeito!".

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publicado 15:33 - 24 fevereiro '13

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