O SILÊNCIO (1963)

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O SILÊNCIO (1963)

Na filmografia do sueco Ingmar Bergman (1918-2007), o filme "O Silêncio" [cartaz italiano] é um objecto chave para lidarmos com dois temas fulcrais da sua obra: a incomunicabilidade e o absurdo das relações humanas. Quando vemos o trabalho de um cineasta como Roy Andersson ("Tu Que Vives"), percebemos que esse é um universo temático que não desapareceu da cinematografia sueca. Em todo o caso, o olhar bergmaniano é inconfundível e, para lá das épocas e das modas, guarda toda a sua perturbante intensidade.

Como comunicamos? E, sobretudo, como não comunicamos?...

Eis uma questão dupla, duplamente perturbante, que Ingmar Bergman enfrentou na sua longa e fascinante filmografia. No caso de "O Silêncio", a sua formulação passa por um ambiente insólito e enigmático: duas irmãs viajam, com o filho de uma delas, num país cuja língua desconhecem em absoluto, ao mesmo tempo que à sua volta observam os sinais crescentes de uma situação de ruptura social, porventura antecipando uma guerra.

Como sempre apoiado num notável leque de actores — Ingrid Thulin e Gunnel Lindblom são as intérpretes principais —, Bergman encena um universo cuja carnalidade não exclui, antes parece atrair, uma estranha abstração. "O Silêncio" é um filme sobre aquilo que passa e, sobretudo, o que não passa nas relações humanas.

Quem sou eu? Quem é o outro?... Quem sou eu para o outro?

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