O ano em que Alain Resnais não ganhou
"Io e Te", de Bernardo Bertolucci: um filme que merecia ter estado na competição

Cannes 2012  

O ano em que Alain Resnais não ganhou

... E Cannes terminou com a vitória de um grande filme: "Amour", de Michael Haneke. Mas também com algumas opções cuja coerência vale a pena questionar. Por exemplo: um prémio para Carlos Reygadas?...

Estranho, bizarro, desconcertante... Um cineasta como Alain Resnais aposta em discutir os limites e fronteiras de teatro e cinema ("Vous n'Avez Encore Rien Vu"), numa prova invulgar de modernidade e risco criativo, e sai de Cannes de mãos a abanar. Entretanto, um formalista empenhado, bem intencionado e banalmente repetitivo como Carlos Reygadas faz um filme apenas de pesada retórica e simbolismo ("Post Tenebras Lux") e surge consagrado com... o prémio de realização!

Já se sabe que os júris não existem para satisfazer os valores dos "outros". Claro que sim. Isso tem, aliás, um nome respeitável: democracia. Em todo o caso, fica por esclarecer que coerência se pode encontrar no facto de o júri de Cannes/2012 consagrar a finesse, a elegância e a inteligência de "Amour", de Michael Haneke, ao mesmo tempo que atribui a Reygadas o título de... melhor realizador!

Sublinhe-se, de qualquer modo, que nada disso anula a energia de um certame que voltou a valer pela pluralidade da sua oferta. Com opções indecifráveis? Sim, sem dúvida: a mediocridade do coreano "L'Ivresse de l'Argent", de Im Sang-soo, ultrapassa tudo o que se possa imaginar... Mas tivemos ainda Cronenberg, Kiarostami, Loznista, etc. E tivemos também o sublime "Io e Te", de Bernardo Bertolucci. Neste caso, com um mistério que fica por escalrecer: porquê fora de competição? 

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publicado 01:47 - 28 maio '12

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