O cinema é uma coisa sagrada
Jessica Chastain em "The Tree of Life": o corpo e a alma

"A Árvore da Vida", de Terrence Malick  

O cinema é uma coisa sagrada

Foi dado como quase certo no Festival de Cannes de 2010: "The Tree of Life", de Terrence Malick, aparece um ano depois, triunfando como um acontecimento tao singular quanto fascinante.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 O cinema é uma coisa sagrada
A Árvore da Vida Na década de 50, Jack (Sean Penn), cresce dividido entre um pai autoritário e uma mãe terna e generosa. Assim que nascem os seus dois irmãos, esse amor incondicional, só seu, tem que ser dividido. Jack terá que aprender também a lidar com o comportamento de um pai que vive obcecado pelo sucesso dos filhos de uma forma muito pouco saudável. Este equilíbrio frágil é um dia perturbado por um ...

Os festivais de cinema fazem-se também da expectativa que envolve os filmes: um bom cinéfilo pode até transformar a espera em exercicio teorico... No caso de "The Tree of Life" ("A Arvore da Vida" — estreia portuguesa a 26 de Maio), essa espera envolveu mais de um ano, ja que alguns orgaos de informaçao chegaram a da-lo como praticamente certo no Festival de Cannes de... 2010!

O menos que se pode dizer é que a espera foi plenamente compensada: estamos perante um fabuloso trabalho criativo de Terrence Malick, por certo um dos mais misteriosos autores do cinema americano (4 décadas, 5 filmes), mostrando que as virtualidades da linguagem cinematografica permanecem intactas, isto apesar da formataçao televisiva em que nos obrigam a viver.

"The Tree of Life" é a historia de um casal — Brad Pitt / Jessica Chastain — e dos seus tres filhos, algures na década de 1950. A sua existencia, tragicamente marcada pela morte de um dos filhos, vai sendo cruzada com as memorias do filho mais velho (Sean Penn), algumas décadas passadas sobre a acçao inicial. Nao sao flashbacks, mas capitulos vivos de um tempo cujas coordenadas existem em regime de feerica transmutaçao.

Melodrama familiar, entao? Sim, mas apenas como remoto ponto de partida. Muito cedo o filme se desloca — e nos desloca — para um universo em que o mais carnal realismo se combina com uma incrivel pulsao transcendental. De tal modo que a sua intriga (?) vai recuando até tempos insolitalmente primitivos, propondo um ziguezague em que passado e futuro, factos e pressentimentos, corpos e almas, tudo se toca, conjuga e renasce numa paisagem de tocante sensualidade.

No limite (e teremos que duiscutir muitos limites para dizermos e pensarmos a beleza radical deste filme), Malick celebra o cinema como uma experiencia capaz de superar as proprias evidencias que estao nas suas imagens (e sons). Afinal, para ele, fazer cinema é uma coisa tendencialmente sagrada. Ver cinema também.

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publicado 17:38 - 16 maio '11

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