O ditador na comunicação social

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O ditador na comunicação social

O cómico Sacha Baron Cohen tem uma nova personalidade no cinema, um déspota de um país do Norte de África, a fazer lembrar os líderes que entraram em queda na Primavera Árabe.

A campanha do general Aladeen, líder adorado de Wadiya começou antes dos Óscares, com o anúncio de que o actor Sacha Baron Coen iria aparecer na passadeira  vermelha assumindo a personagem do filme.

Mesmo depois de muitos avisos por parte da Academia, o ditador apareceu e levou um pote com as cinzas do amigo Kim Jong Il, líder da Coreia do Norte, que morreu no ano passado, mas tinha o sonho antigo de pisar a passadeira vermelha. O episódio em que as cinzas foram parar em cima de um dos apresentadores da televisão norte americana, foi visto por milhões de espectadores, uma audiência que multiplicou através do you tube.

O novo filme do ator Sacha Baron Cohen, que já foi Ali G, Borat ou Bruno, conta com os media para se promover, e o ditador tem feito passagem por alguns programas e canais de referência. Já foi entrevistado por Larry King, envergando a farda militar e cuspindo no chão em nome do ódio a Israel.

No Saturday Night Live, trouxe um refém de cabeça coberta, que viria a destapar perante as câmaras, para revelar Martin Scorcese, que dirigiu Sacha Baron Coen em "A Invenção de Hugo", como vítima de tortura, até admitir que a obra do Ditador era de longe muito superior a "Touro Enraivecido" que Scorcese realizou em 1980.

Em Londres, na antestreia do filme Sacha Baron Cohen apareceu de Lamborghini, acompanhado de um esquadrão de virgens em mini-saia. Distribuiu autógrafos, elogiou o casal gay mais popular do mundo (Nick Clegg e David Cameron, vice primeiro-ministro e primeiro-ministro britânicos) e deu o conselho a Angela Merkel de cuidar da aparência e mudar de sexo para se tornar mulher.

Não há limites para o humor desbragado do ator, que escreveu parte do guião, e para a disponibilidade do realizador Larry Charles, que assinou os filmes anteriores de Sacha Baron Cohen. Na mais recente colaboração entre os dois, o ator veste a pele de um ditador que viaja para Nova Iorque para se dirigir às Nações Unidas e tentar evitar que a democracia chegue à Nação de Wadiya. A paródia aos senhores depostos pela primavera árabe é a nova arma de humor que desta vez não aposta no efeito surpresa da reacção das pessoas reais que aparecem nos filmes anteriores, mas assume a construção de uma personagem de ficção, que já é fenómeno antes de estrear nas salas.

O novo filme tem contribuições de actores como Ben Kingsley, John C. Reilly ou Megan Fox a fazer de si própria, mas os holofotes voltam-se naturalmente para Sacha Baron Cohen, de barba comprida, com sotaque esquisito e que leva para o cinema uma total ousadia de romper com o conceito de politicamente correcto.

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