O estado actual do 3D
O remake em 3D de "Piranha", previsto para este Verão, prova que a tecnologia está a chegar a outro tipo de filmes para lá dos blockbusters.

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O estado actual do 3D

O número de estreias em 3D cresce rapidamente. À polémica acerca do aumento dos preços dos bilhetes junta-se a crítica à qualidade das transcrições dos filmes originalmente filmados a duas dimensões. Conseguirá a industria manter o público interessado nesta tecnologia renovada, ou estarão a matar a galinha dos ovos de ouro?

Continuam a verificar-se grandes desequilíbrios na exibição nacional com um fosso enorme a separar o líder do box office dos restantes filmes em exibição. Por exemplo, no último fim-de-semana, "Confronto de Titãs" fez quatro vezes mais dinheiro e três vezes mais espectadores do que o #2 da tabela. E não é caso único.

É notório que o 3D está a deformar a oferta, a retirar visibilidade a uma segunda linha de filmes que, normalmente, poderiam ter algum sucesso.

A duplicação de versões obriga a sacrificar um segundo ecrã para a versão 2D e retira espaço a alternativas. O resultado está à vista. Temos estreias com 70 e 80 cópias e lançamentos menores com 20 a 40. A fatia intermédia do mercado está a desaparecer.

Não é possível afirmar com segurança se estamos a meio de um simples fenómeno temporário ou de algo permanente, mas arriscaríamos dizer que o 3D ainda irá ficar durante algum tempo, quanto mais não seja porque os investimentos para converter o material de projecção assim o exigem. Por outro lado, o pior ainda está para vir.

Até agora, o lançamento em três dimensões tem estado reservados aos blockbusters. No entanto, já este Verão, começam a chegar às salas filmes com menos ambições e orçamentos mais pequenos. A maior parte irá falhar miseravelmente e, tal facto, irá arrefecer os entusiasmos lá pelas bandas dos estúdios.

O público começa a aperceber-se que nem tudo o que é 3D é sinónimo de bom entretenimento. Choveram críticas em relação a "Confronto de Titãs" pelo resultado fraco e desinteressante da transcrição a partir do original, em 2D vulgar de lineu, um problema que se tinha notado também em "Alice no País das Maravilhas".

É desejável que a fúria do 3D seja substituída por um tipo de pensamento mais racional, com um uso mais criativo da tecnologia e que acabem as transcrições feitas em cima do joelho, na ânsia de conseguir mais uns cobres. Caso contrário, o fascínio cedo dará lugar a uma enorme saturação.

Se isso acontecer, todos perdem: estúdios, exibidores e nós, o público.

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publicado 00:07 - 22 abril '10

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