O filme único de João Pedro Plácido
Retrato comunitário do lugar da Uz.

Cinema Português  

O filme único de João Pedro Plácido

O documentário "Volta à terra" é o primeiro e último filme que João pedro Plácido realizarealiza,

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 O filme único de João Pedro Plácido
Volta à Terra "Volta à Terra" conta a história de uma comunidade em extinção: camponeses que praticam agricultura de subsistência numa aldeia das montanhas do norte de Portugal, esvaziada pela imigração. Entre a evocação do passado e um futuro incerto, seguimos os 49 habitantes da Uz pelas quatro estações do ano. Entre os habitantes encontramos António, antigo emigrante que realizou o sonho de regressar ao ...

João Pedro Plácido considera que está correta a descrição de que é um realizador de um filme só: este "Volta à Terra", que o fez regressar à aldeia onde o avô e a mãe nasceram, na fronteira entre o Minho e Trás-os-Montes.

Eleito o melhor filme português do DocLisboa 2014, "Volta à Terra" é o retrato de um lugar a 20 quilómetros de Cabeceiras de Basto, onde os habitantes vivem de e para o trabalho, com a terra e o gado.

João Pedro Plácido, nascido em 1979, em Lisboa, tem "um sentimento de pertença ao local" e quis fazer este filme desde a adolescência, quando soube que queria estar ligado ao cinema. "Eu queria mesmo partilhar isto desde há muito tempo", disse, elencando os temas que o motivam: a ruralidade, o sentido de comunidade, a perda de identidade cultural.

"Tenho uma preocupação genuína com isso. E eu não tenho mais nada que queira partilhar e que eu acho que possa fazer de uma forma diferente. (...) Isto é uma estreia e uma conclusão. Eu não pretendo continuar a realizar. A minha profissão é ser diretor de fotografia e os meus projetos são os projetos dos outros realizadores", explicou.

"Volta à Terra" foi rodado entre dezembro de 2011 e janeiro de 2013, com várias viagens do realizador a Uz para registar o quotidiano da aldeia, em momentos diferentes do ano, no rigor do inverno e no pico do verão.

O filme centra-se em dois habitantes da aldeia, de gerações diferentes - António, mais velho, e Daniel, mais novo -- que espelham aquelas características do mundo rural que João Pedro Plácido queria filmar.

"O que encontramos ali são valores muito humanos. Quero acreditar que é um microcosmos do que de melhor têm os portugueses. Há uma enorme alegria de viver, a crise ultrapassa-as. Ali existe um empenho e uma determinação e um humor que eu não encontro em Lisboa e espalhado por esse Portugal que vem nas notícias. Há uma certa sabedoria e sensibilidade que o homem da cidade perdeu e que permanece no homem do campo", descreveu.

A aldeia tem pouco mais de 50 habitantes. Alguns foram ver o filme numa exibição, no ano passado, no Porto, no festival Post Doc.

"Foi uma experiência cinemática incrível. As pessoas estavam a falar para a tela e reagiam umas com as outras e riam-se", recordou o realizador, que pretende fazer uma exibição em agosto, em Cabeceira de Bastos, perto de Uz.

João Pedro Plácido quis fazer cinema aos 14 ou 15 anos, depois de ter visto "E a Vida Continua", de Abbas Kiarostami. Com uma câmara, fez pequenos filmes em Uz e só mais tarde é que aprendeu a técnica.

Hoje diz que a profissão dele é a direção de fotografia. "Tenho um enorme prazer em ajudar esses bons realizadores a entrar nas imagens justas para as histórias deles. É aí que eu quero estar".

"Volta à Terra", exibido em maio no âmbito do Festival de Cinema de Cannes, deverá estrear-se nos cinemas, em França e na Suíça, em 2016.

por

Recomendamos: Veja mais Artigos de Cinema Português