O fim do mundo, segundo Lars Von Trier

"Melancholia", de Lars Von Trier  

O fim do mundo, segundo Lars Von Trier

Um planeta chamado "Melancholia" colide com a Terra e acaba com a vida no único local do universo onde ela existe.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 O fim do mundo, segundo Lars Von Trier
Melancolia A propósito do casamento de Justine (Kirsten Dunst) e Michael (Alexander Skaarsgärd), Claire (Charlotte Gainsbourg) oferece a sua casa para a luxuosa festa de comemoração. No momento em que esta decorre, o planeta Melancholia move-se em direção à Terra. De que forma a possível colisão irá afetar a relação entre as duas irmãs?
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Cannes 2011
Lars Von Trier declarado `persona non grata` pelo Festival de Cannes O realizador Lars Von Tier foi declarado "persona non grata" na sequência de declarações proferidas na conferência de imprensa de ontem.

O muito aguardado filme do cineasta dinamarquês Lars Von Trier ("Europa", "Ondas de Paixão" e "Dancer in the Dark" que recebeu a Palma de Ouro em 2000), transformou-se num objecto da ira da imprensa internacional.

O realizador foi banido do festival e considerado persona non grata por uma declaração controversa na conferência de imprensa: "sempre quis ser judeu, mas quando investiguei as raízes familiares descobri que era realmente alemão, de origem otomana, um nazi, o que me deu algum prazer". E acrescentou: "eu entendo Hitler". Na verdade "Melancholia" não tem a mínima relação com o contexto destas afirmações, feitas num ambiente em que imperava o humor negro.

Passando à obra cinematográfica, obviamente existem alguns elementos menos trabalhados no filme, como o argumento e a essência de algumas personagens. Mas penso que esse menor empenho é intencional por parte do cineasta que opta por nos conduzir por uma memorável paisagem de imagens (dos efeitos slow motion das personagens à mortífera órbita do planeta "Melancholia").

A história divide-se em duas partes. O casamento de Justine (Kirsten Dunst) numa imponente mansão no campo e o seu estado de letargia durante o evento. Nem o devoto noivo, nem o carinhoso do pai, a insolente mãe, ou o padrinho de casamento, marido da irmã dela, preocupado com o cheque a pagar pela festa (desempenhado pelo actor Kiefer Sutherland), conseguem mudar a disposição da noiva.

A segunda parte é dedicada à irmã Claire (Charlotte Gainsbourg) que perante a aproximação do final dos tempos, vai ficando cada vez menos conformada com a situação.

Este drama de ficção científica, em que o lado psicológico desemboca num final em jeito de conto de fadas, é explicado por Lars Von Trier como um choque entre as religiões do ocidente e do leste da Europa. Ou seja, do lado mais punitivo do catolicismo (que convive com a crucificação de Cristo); ao efeito da luz e do reencontro do divino na religião ortodoxa. O cineasta diz preferir o lado da luz porque tem a ver com o cinema.

"Melancholia" representa simbolicamente um encontro com os fantasmas mais íntimos do cineasta que tem convivido nos últimos anos com uma profunda depressão nervosa. À grandiosidade épica do excerto de "Tristão e Isolda", de Richard Wagner, com que inicia o filme, junta-se a infantil e inexplicável percepção dos 678 feijões que Justine (Dunst) sabe estarem dentro de uma garrafa e que ajudam a legitimar a segurança perante o aproximar do choque final.

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