O gosto de dirigir actores

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O gosto de dirigir actores

Pelo realizador de "Shine", Scott Hicks, eis um melodrama familiar (resultante de uma coprodução entre Austráiia e Grã-Bretanha) centrado numa impecável interpretação de Clive Owen.

"Só Eles!" não será, por certo, uma data na história dos melodramas familiares. Afinal de contas, de George Cukor a Woody Allen, o género está marcado por referências extraordinárias. Em todo o caso, o filme dirigido por Scott Hicks ("Shine") consegue cumprir o essencial. A saber: encenar uma situação carregada de dramatismo (um pai que fica a tomar conta dos seus dois filhos depois da morte súbita da mulher) sem ceder à facilidade moralista dos clichés.

Scott Hicks possui, afinal, o gosto essencial de dirigir os seus actores e actrizes (incluindo alguns muito jovens e também muito brilhantes). Clive Owen, em particular, aí está para, uma vez mais, desmentir o rótulo de "duro" de "filmes de acção", compondo com exemplar emoção, e também muita contenção, a personagem do jornalista australiano que se vê inesperadamente colocado na posição de único adulto em casa.

Fica uma nota desconcertada e desconcertante face ao título português: que sentido faz este "Só Eles!" aplicado a um filme que se chama, no original, "The Boys Are Back" (à letra: "Os rapazes estão de volta")? Não será importante ter em conta que, não poucas vezes, o primeiro contacto que muitos espectadores têm com um determinado filme é o seu título?

 


Poster de «Só Eles!»

SÓ ELES!

Depois da morte prematura da sua mulher, Joe Warr fica sozinho com o filho de seis anos. Pouco tempo depois, o seu filho adolescente, fruto de um anterior casamento, vem viver com eles. Mas a vida entre os três é tudo menos organizada...

De Scott Hicks com Olive Owen, Emma Booth, Laura Fraser; Drama; 105m; M/12; AUSTRÁLIA, GB; 2009

>Ouça a crítica de João Lopes

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