O meu palmarés [João Lopes]
Michael Fuith ("Michael", de Markus Schleinzer)

Cannes 2011  

O meu palmarés [João Lopes]

Os grandes filmes do 64º Festival de Cannes fugiram ao "naturalismo" das televisões: retratar o mundo é um trabalho árduo e exigente.

PALMA DE OURO: "A Árvore da Vida", de Terrence Malick
GRANDE PRÉMIO: "Once Upon a Time in Anatolia", de Nuri Bilge Ceylan
REALIZAÇÃO: Alain Cavalier, "Pater"
ACTOR: Michael Fuith em "Michael", de Markus Schleinzer
ACTRIZ: Jessica Chastain em "A Árvore da Vida", de Terrence Malick

Para onde vai o cinema? Para onde pode ir o cinema? Digamos que pode (e, a meu ver, deve) resistir à formatação televisiva, afirmando e reafirmando uma relação com o mundo que não se satisfaça com as leis correntes do "naturalismo" e da "espontaneidade".

Daí que o melhor do cinema contemporâneo passe por cineastas como Malick, Cavalier ou Ceylan, nada jovens, hélas! nada jovens (o mais novo, Ceylan, tem 52 anos). São olhares que reafirmam um certo gosto realista capaz de se transfigurar em linguagens tão radicais quando envolventes -- no caso de Malick, deslocando-nos mesmo para os territórios do misticismo.

Sintomaticamente, são todos eles cineastas que (re)valorizam o trabalho dos actores em detrimento do ruído pueril dos "efeitos especiais". Aliás, o melhor filme fantástico deste 64º Festival de Cannes chegou-nos, em cópia restaurada, de tempos muito remotos: tem assinatura de Georges Méliès, chama-se "Viagem à Lua" e foi feito há 109 anos.

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publicado 23:39 - 21 maio '11

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