O novo romantismo de Gus Van Sant
Henry Hopper e Mia Wasikowska: um filme insólito, desconcertante e comovente

"Restless", de Gus Van Sant  

O novo romantismo de Gus Van Sant

Seção paralela da seleção oficial, "Un Certain Regard" abriu em grande com a mais recente realização de Gus Van Sant: "Restless" acredita que o romantismo ainda e possível...

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 O novo romantismo de Gus Van Sant
Inquietos Esta é a história de um encontro com um fim anunciado. Um rapaz (Henry Hopper – Enoch Brae) cujos pais morreram num acidente de viação e de quem nunca teve oportunidade de se despedir, cria o hábito de ir assistir a funerais de desconhecidos. Num deles encontra uma rapariga (Mia Wasikowska – Annabel Cotton) com quem acaba por criar amizade. Mas Annabel tem um cancro e a vida a prazo curto. ...

Que há de comum entre uma jovem que tem um cancro terminal, um rapaz que cultiva o "hábito" de ir a funerais de pessoas que não conheceu e... um piloto japonês "kamikaze" dos tempos da Segunda Guerra Mundial? Pois bem, para Gus Van Sant, é o que basta para contar a mais insólita, desconcertante e comovente história de amor.

Com honras de abertura da seção "Un Certain Regard", o novo filme de Van Sant, "Restless", é de fato um daqueles objetos que desafia hábitos de leitura e formas de percepção. Talvez possamos defini-lo com símbolo de um novo romantismo que aposta em recuperar toda uma heranca clássica que, como se prova, pode ser transfigurada para a(s) sensibilidade(s) do nosso presente.

Tendo como ponto de partida um notável argumento de Jason Lew, "Restless" possui esse encanto próprio dos filmes que, mesmo convocando as mais variadas referências cinéfilas (Minnelli passou por aqui), conseguem criar o seu próprio modelo narrativo — sentimos não que copiam seja o que for mas, afinal, que não é possivel copiá-los.

Mia Wasikowska e a figura central, demonstrando que a sua performance em "Alice no País das Maravilhas" (e também no recente "Jane Eyre") nao teve nada de acidental. Contracena com ela o magnífico Henry Hopper, genuína revelação, expondo uma vulnerabilidade tocante com que a câmara se da muito bem — "Restless" e dedicado à memória de Dennis Hopper (1936-2010), pai de Henry.

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publicado 19:22 - 12 maio '11

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