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O novo rosto de Charlize Theron

Na dupla qualidade de actriz e produtora, Charlie Theron é a força motriz de "Atomic Blonde", um filme que, até certo ponto, podemos aproximar das matrizes clássicas de James Bond.

O novo rosto de Charlize Theron
Charlize Theron em pose de agente especial do MI6
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 O novo rosto de Charlize Theron
Atomic Blonde - Agente Especial A jóia da coroa do Serviço Secreto de Inteligência de Sua Majestade, a agente Lorraine Broughton (Theron) tem tanto de espia, quanto de sensual e selvagem, e está disposta a usar qualquer das suas habilidades para sobreviver à missão impossível com que se depara. Enviada para Berlim para extrair um documento secreto dessa cidade em convulsão, é obrigada a associar-se a David Percival (James ...

Vinda da área da moda, Charlize Theron teve um dos seus primeiros papéis importantes assumindo, ironicamente, a personagem de uma supermodel — foi em "Celebridades" (1998), de Woody Allen, ao lado de gente tão especial como Kenneth Branagh, Winona Ryder e Leonardo DiCaprio. O certo é que a sua carreira nunca ficou obrigada a qualquer "imagem de marca" — basta recordar a sua impressionante transfiguração em "Monstro" (2003), de Patty Jenkins, que lhe valeu o Oscar de melhor actriz.

Quando a descobrimos, agora, em pose de agente do MI6 britânico será inevitável sugerir que se trata de uma espécie de James Bond em tom feminino... O certo é que, para Theron, "Atomic Blonde" está longe de ser uma mera tentativa de apropriação de um modelo tradicionalmente atribuído a estrelas masculinas: estamos antes perante um novo desafio, e um novo rosto, de alguém que sabe protagonizar as mais inusitadas transfigurações (aliás, acumulando as funções de produtora).

Trata-se, assim, de revisitar as memórias da queda do Muro de Berlim, num labirinto de golpes, perseguições e traições que Theron interpreta com um misto de charme e frieza que confere ao filme a dinâmica de um gigantesco videoclip — por vezes, de uma surpreendente exuberância visual; muitas vezes, tentando disfarçar o esquematismo de um argumento obviamente pouco trabalhado.

Dir-se-ia que a estreia de David Leitch na realização (em 2014, colaborara com Chad Stahelski na direcção de "John Wick", com Keanu Reeves) revela os limites da sua própria especialização. Ele tem sido, de facto, um director de duplos para cenas de acção — com imensas colaborações, de "Clube de Combate" (1999) a "O Legado de Bourne" (2012) — e não está preocupado com as dinâmicas narrativas do seu filme: para ele, um corpo a voar em frente da câmara é sempre mais interessante (?) do que aquilo que a câmara e os actores podem fazer com o espaço e o tempo... Enfim, não se pode ter tudo.

Crítica de João Lopes actualizado às 18:37 - 10 agosto '17
publicado 18:32 - 10 agosto '17

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