O primeiro amor e a eutanásia. Vida e morte nos filmes premiados em Sundance
Cody Curtis, 54 anos, cancro no figado é a figura central do documentário sobre a morte assistida no Oregon

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O primeiro amor e a eutanásia. Vida e morte nos filmes premiados em Sundance

Vale a pena esperar por "Like Crazy" e "How to Die in Oregon", os principais premiados de Sundance

O ano passado o Festival mais conhecido do Utah deu-nos pérolas como "Despojos de Inverno - Winter’s Bone" e "Restrepo", ambos nomeados para Oscars. Este ano foi a vez da longa-metragem "Like Crazy" de Drake Doremus e do documentário "How to Die in Oregon" de Peter Richardson.

Com a participação do trio Anton Yelchin, Felicity Jones e Jennifer Lawrence, "Like Crazy" ganhou o Grande Prémio do Júri para um filme de ficção. Conta-nos uma história sobre a mais pura forma de romance, sobre o primeiro amor. A história de Jacob, um estudante americano, e Anna, uma estudante inglesa.

De uma forma voyeurista, Drake Doremus leva-nos a espreitar os detalhes íntimos da relação entre os dois jovens, e a luta diária que estes travam quando o visto de Anna expira e ela é deportada para Inglaterra. Forçados a uma relação de longa distância, o casal passa por provações, dificuldades e tentações.

Felicity Jones foi uma revelação com o seu papel de Anna, e levou para casa o Prémio Especial do Júri. O filme apoia-se completamente na empatia que os seus actores geram, uma vez que não foi baseado num argumento, apenas em 50 páginas de indicações. Com diálogos maioritariamente improvisados, não funcionaria se o clima entre os jovens actores não fosse realmente poderoso. O realizador confessou que deixou várias vezes a câmara a filmar durante 20 ou 30 minutos, só para os capturar juntos.

É ainda de destacar a participação de Jennifer Lawrence (actriz de "Despojos de Inverno - Winter’s Bone") que faz o papel de uma rapariga que leva Jacob a duvidar sobre com qual das jovens quer ficar.

"É um filme sobre o amor, e sobre o amor eterno. O nosso primeiro amor nunca nos deixa. A mim nunca me deixou e está aqui comigo esta noite”, declarou Drake Doremus no discurso de agradecimento.

Remete-nos para alguns clichés, como passeios pela praia e cenas românticas com o pôr-do-sol no fundo, mas nada de demasiado flagrante. "Like Crazy" é um filme que mexe com cada pessoa de uma maneira diferente, pois leva cada um a interpretar a história consoante as suas próprias experiências, e a sua fé no amor. Ao júri partiu-lhes o coração, e confessaram adorar o filme… "like crazy".

Uma visão frontal sobre da eutanásia

"How to Die in Oregon" de Peter Richardson foi o vencedor do Grande Prémio do Júri para um documentário. Um filme que conta a história de médicos, família e amigos de pacientes terminais que optam pela morte assistida.

Em 1997, o Oregon aprovou a lei Death With Dignity (Morte Com Dignidade) que se aplica a pacientes em estado terminal e com uma expectativa inferior a 6 meses de vida. Nessa altura, apenas era permitida a eutanásia na Bélgica, Suíça e Holanda. Até hoje mais de 525 pessoas já puseram termo à sua vida neste Estado através de uma overdose letal.

O documentário segue principalmente a luta de Cody Curtis, uma mulher de 54 anos que sofre de cancro no fígado. No documentário vamos vendo Cody fazendo os tratamentos, suportando as dores, e despedindo-se lentamente do seu marido e dos filhos. O filme estácom ela até ao dia em que toma a sua decisão final.

Cody põe a sua história a nu e confronta-nos com os prós e os contras da lei e da liberdade de escolha. Como disse Stan Curtis, marido de Cody, não se trata de uma história sobre morrer, mas antes de uma história sobre viver. Para enriquecer esse debate, o realizador incluiu vários pontos de vista e seguiu a história de Nancy, uma viúva que tenta concretizar o desejo final do seu marido de ser aprovada a lei da eutanásia em Washington.

"How to Die in Oregon" foi considerado o filme mais difícil de ver na história do Festival de Sundance. "Ninguém quer olhar a morte na cara, por isso muita gente não quer ver este filme", explicou a presidente da HBO Documentary Films, produtora deste filme. "Não me levem a mal – é muito duro, muito difícil de ver. Mas acaba por ser um importante filme sobre coragem, dignidade e compaixão", esclareceu Sheila Nevins.

A HBO está já a planear exibi-lo durante o Verão numa série de grandes documentários.

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