O romantismo e a duplicidade
Clive Owen e Julia Roberts num filme de espionagem passado nos bastidores das grandes companhias financeiras

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O romantismo e a duplicidade

Um par de espiões tenta dar um golpe perfeito.

Dois espiões encontram-se e seduzem-se. Ele é agente do MI6, ela é operacional da CIA. Cinco anos mais tarde reencontram-se e ela tarda em reconhecê-lo. As circunstâncias mudaram drasticamente, agora Claire (Júlia Roberts) e Ray (Clive Owen) trabalham em departamentos de contra-espionagem de empresas privadas e rivais do sector da cosmética.

"Dupla Sedução" enreda a trama através de recuos temporais que enquadram o modo como o relacionamento foi evoluindo na expectativa de concretizar um golpe engenhoso. Ambos procuram informação nas empresas onde trabalham tentando roubar uma patente valiosa. A golpada perfeita parece inevitável mas persiste sempre uma desconfiança mútua que é o combustível da relação.

O filme evolui na esfera privada - há um par e a possibilidade de um desenlace romântico... - mantento o interesse num plano mais empresarial - afinal, o que é que está em causa no confronto entre duas grande companhias? Em qualquer plano sobressai a duplicidade e a capacidade de fazer o jogo duplo.

Com "Dupla Sedução" o realizador Tony Gilroy confirma a coerência da sua agenda. Tal como sucedia em "Michael Clayton" ele apresenta-nos um filme com informação interessante e surpreendente sobre as grandes companhias e a ética no mundo global dos negócios.

A grande diferença reside no tom. "Michael Clayton" era grave e tenso, este é ligeiro e descontraído mesmo quando demonstra que o romantismo não resiste à duplicidade própria de um modo de estar contemporâneo.

Não sendo brilhante, "Dupla Sedução" é o filme de entretenimento puro mais inteligente que está em exibição nesta altura.



DUPLA SEDUÇÃO

De
Tony Gilroy
com
Júlia Roberts, Clive Owen, Tom Wilkinson
Thriller
125m
M/12
EUA
2009





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