O vazio espiritual e a brutalidade intrigante

Cannes, dia 8: ONLY GOD FORGIVES, Nicolas Winding Refn  

O vazio espiritual e a brutalidade intrigante

O novo filme de Ryan Goslin e Nicolas Widing Refn é um thriller graficamente sedutor e arrojado mas com uma densidade psicológica muito frágil.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 O vazio espiritual e a brutalidade intrigante
Only God Forgives Descrito como um neo-western e passado em Banguecoque, esta obra exigiu bastante treino a Ryan Gosling, que teve de aprender Muay Thai, arte marcial muito presente no filme, e mesmo a lidar com espadas. Em "Only God Forgives", que conta também com Kristin Scott Thomas no elenco, estamos em Banguecoque. Quando o irmão de Julian assassina uma prostituta, Chang, um polícia reformado, conhecido como ...
Média Cinemax:
2.333

Dois anos depois de ter ganho o prémio de realização em Cannes com "Drive", o dinamarques Nicolas Widing Refn regressa à competição com um filme igualmente violento e mais perturbador, onde a paisagem do submundo do crime de Los Angeles, nos anos 70, é substituída por cenários decadentes de Banguecoque.

"Only God Forgives" tem uma narrativa mais limitada do que "Drive", assentando em duas relações complexas mãe/filho e criminoso/polícia e trabalhando o tema da vingança/justiça como elemento de ligação.

Ryan Gosling interpreta o papel de um anti herói taciturno, um criminoso escondido na capital tailandesa, onde gere um clube de boxe Muay Thai que é uma fachada para uma rede de narcotráfico.

O negócio clandestino é gerido pela sua mãe, interpretada por Kristin Scott Thomas, uma mulher implacável, que obriga o seu filho a vingar a morte do irmão, o primogénito, desafiando um policia reformado que julga ser uma espécie de Deus vingador.

Toda a narrativa está construída num tom quase mudo de tragédia grega sendo pontuada por quadros graficamente muito violentos e sangrentos.

Nicolas Winding Refen mantém-se coerente à ideia de que a arte é uma agressão, submetendo os seus atores a desempenhos muito expressivos com linhas de diálogos curtas. Ryan Goslin diz 12 palavras em todo o filme e Kristin Scott Thomas é um corpo estranho neste universo bizarro. Mas a sua imperatriz do crime, personagem fria e cruel, representa um papel radicalmente diferente do que a atriz fez.

O filme é um thriller estlizado e visualmente poderoso, com uma amosfera portentosa graças a um desenho de producão muito original e a uma banda sonora imersiva e opressiva de Cliff Martinez.

Mas a visão de Nicolas Winding Refn é servida por uma história existencialista muito pobre sobre Deus, família e honra, o que não chega para enriquecer psicologicamente um filme que é brutamente intrigante.

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publicado 14:53 - 23 maio '13

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