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Jeanne Moreau e Marcel Ophuls: revisitando as memórias do cinema, com ternura

Cannes, dia 4: UN VOYAGEUR  

Ophuls + Ophuls

Marcel Ophuls, filho de Max Ophuls, decidiu revisitar as memórias dos filmes do pai e também dos seus próprios filmes: o resultado chama-se "Un Voyageur" e está na Quinzena dos Realizadores.

Esta imagem da conversa de Marcel Ophuls com Jeanne Moreau diz bem do ambiente em que evolui o filme que o primeiro fez sobre as suas memórias de cineasta. Chama-se "Un Voyageur" (Quinzena dos Realizadores) e mostra como a memória pode ser indissociável da ternura e da intimidade, emprestando ao filme uma dimensão metodicamente autobiográfica.

Como seria inevitável, "Un Voyageur" não se esgota na experiência do realizador. Ou melhor, essa experiência envolve necessariamente, o outro Ophuls, o grande Max Ophuls (1902-1957) que realizou, entre muitas outras maravilhas romanescas, o clássico "Lola Montès" (1955).

Cruzando memórias, entrevistas e materiais de arquivo, "Un Voyageur" acaba por transcender a dimensão de testemunho pessoal. O filme acaba por existir também como uma crónica (por assim dizer de "usos e costumes") dos contextos de produçao em que Max trabalhou, incluindo Hollywood nos anos 40, e onde Marcel desenvolveu os seus invulgares filmes documentais, incluindo "Le Chagrin et la Pitié" (1969), sobre o período em que a França esteve ocupada pelos nazis.

Uma vez mais, o trabalho de Marcel Ophuls envolve uma lição fundamental: recuperar os testemunhos (filmados, em particular) do passado não é apenas acumulá-los, mas organizá-los no sentido de sustentar uma determinada visão do mundo. Daí que este objecto documental tenha também os sabores muito próprios da ficção, incluindo o irresistível humor de um cineasta de radiosos 85 anos.

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publicado 01:31 - 19 maio '13

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