Os Oscars à procura do classicismo perdido
Anthony Hopkins com o Oscar de melhor actor, por "O Silêncio dos Inocentes" (1991)

Oscars 2012  

Os Oscars à procura do classicismo perdido

Quem vai ganhar o quinteto mágico de Oscars (filme, realizador, actor, actriz e argumento)? Este ano, é um das poucas certezas da cerimónia: nenhum filme tem nomeações para repetir tal proeza.

Foi há 20 anos (mais precisamente, a 30 de Março de 1992): "O Silêncio dos Inocentes" conseguia a proeza de arrebatar cinco Oscars: melhor filme, melhor realizador (Jonathan Demme), melhor actriz (Jodie Foster), melhor actor (Anthony Hopkins) e melhor argumento adaptado (Ted Tally).

Este é, afinal, o quinteto mágico de estatuetas douradas, "The Big 5" como dizem os americanos: filme, realizador, actor, actriz e uma categoria de argumento. Que é como quem diz: o conjunto de Oscars que define uma performance artística de excelência, dificilmente repetível. "O Silêncio dos Inocentes" foi apenas o terceiro filme a conseguir tal proeza, depois de "Uma Noite Aconteceu" (1934), de Frank Capra, e "Voando sobre um Ninho de Cucos" (1975), de Milos Forman.

Em boa verdade, sabemos já que, este ano, o fenómeno não se vai repetir, uma vez que nenhum filme acumula nomeações nas cinco categorias referidas ("O Artista" consegue quatro dessas nomeações, faltando-lhe marcar presença na categoria de melhor actriz).

Seja como for, e acima de tudo, vale a pena relembrar que a valorização de tais categorias decorre de uma visão que tende a destacar os elementos mais básicos (e mais humanos, hélas!) da fabricação de um filme. Tal visão, visceralmente clássica, tornou-se tanto mais importante quanto a descrição economicista dos filmes, a par da celebração gratuita dos "efeitos especiais", adquiriram um peso terrível em muitos discursos contemporâneos, do marketing ao jornalismo.

Podemos dizer isto de outro modo, recordando uma blague de um dos realizadores citados, Frank Capra. Uma vez, numa conversa sobre a importância dos diversos elementos que fazem um filme, desde a produção à realização, passando pelo argumento ("script"), foi-lhe pedido que apresentasse, por ordem, os três mais importantes desses elementos. Resposta: "The script, the script, the script".

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publicado 11:29 - 26 fevereiro '12

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