Os limites do formalismo
Ryan Gosling em "Only God Forgives": um filme que se esgota na sua pompa

Cannes, dia 8: ONLY GOD FORGIVES, Nicolas Winding Refn  

Os limites do formalismo

O dinamarquês Nicolas Winding Refn regressa à competição de Cannes com "Only God Forgives", exemplo extremo de um cinema formalista, perdido no seu "look" mais ou menos publicitário.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Os limites do formalismo
Only God Forgives Descrito como um neo-western e passado em Banguecoque, esta obra exigiu bastante treino a Ryan Gosling, que teve de aprender Muay Thai, arte marcial muito presente no filme, e mesmo a lidar com espadas. Em "Only God Forgives", que conta também com Kristin Scott Thomas no elenco, estamos em Banguecoque. Quando o irmão de Julian assassina uma prostituta, Chang, um polícia reformado, conhecido como ...

Digamos que, num festival como é Cannes, há sempre um momento de perplexidade mais ou menos generalizada que leva a perguntar: como é que aquele filme está na competição? Sobretudo quando, nas secções paralelas, podemos ver obras incomparavelmente mais ousadas e inteligentes.

Aconteceu, agora, com "Only God Forgives", de Nicolas Winding Refn, o cineasta dinamarquês que conhecemos, por exemplo, através de "Valhalla Rising - Destino de Sangue" (2009) ou "Drive" (2001), este distinguido em Cannes com o prémio de melhor realização. Para quem considera (é o meu caso) que Refn não passa de um formalista aplicado, a tentar disfarçar o imenso vazio de ideias do seu cinema, convenhamos que "Only God Forgives" não tem nada de surpreendente. Ou seja: uma história de vingança no submundo de Bangkok, filmada com aquela pompa gongórica de quem julga que um visual muito clean de anúncio publicitário hiper-produzido se confunde com uma grande ideia de mise en scène...

Chega a ser patético observar Ryan Gosling (que já participara em "Drive") a fazer pose de manequim para tentar disfarçar o facto de não ter verdadeira personagem para defender. O mesmo se dirá de Kristin Scott Thomas, entregue a um look de "madrinha" do crime que, muito profissionalmente, ela tenta sustentar com rigor e aplicação, mas que participa da sensação dominante: um enorme desperdício.

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publicado 00:03 - 23 maio '13

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