Os segredos de Séraphine de Senlis
Yolande Moreau, a brilhante intérprete de Séraphine,
distinguida com o César de melhor actriz de 2008

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Os segredos de Séraphine de Senlis

"Séraphine" é um dos grandes fenómenos do recente cinema francês — um retrato íntimo de uma pintora que simboliza uma certa arte naïf da primeira metade do século XX

Há filmes que provocam a estranha e fascinante sensação de nos conduzirem através de universos secretos, enigmáticos, num certo sentido assombrados. Assim é "Séraphine", sobre Séraphine de Senlis (1864-1942), referência lendária de uma certa pintura naïf francesa e também alguém cuja existência foi toda ela marcada pela ameaça da loucura.

Não é, entenda-se, uma "biografia-artística". Não o é, pelo menos, segundo os códigos deterministas de algumas ficções televisivas que apresentam os artistas como uma espécie de seres "destinados" a fazer aquilo que, a posteriori, sabemos que fizeram. É, isso sim, um verdadeiro trabalho de exposição de factos e emoções em que sentimos (e pressentimos) a arte como algo de indissociável das convulsões da vida e das relações humanas.

O realizador Martin Provost conseguiu, assim, um filme digno de toda uma nobre tradição francesa em que o cinema se afirma como modo privilegiado de contemplação do universo da pintura — para nos ficarmos por um caso modelar, lembremos o genial "Van Gogh" (1991), de Maurice Pialat.

Felizmente, os Césares (atribuídos pela Academia Francesa de Cinema) foram sensíveis às singularidades de "Séraphine", distinguindo-o com sete prémios, incluindo melhor actriz (Yolande Moreau, a brilhante intérprete de Séraphine) e melhor filme de 2008.



SÉRAPHINE

De
Martin Provost
Com Yolande Moreau, Ulrich Tukur, Anne Bennent
Drama, Guerra
125m
M/12
BÉLGICA/FRANÇA
2008


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