Os velhos (e os novos) de Cannes
"The Ring": o clássico de 1927, com assinatura de Hitchcock, vai estar em Cannes

Cannes 2012  

Os velhos (e os novos) de Cannes

Com o decorrer dos anos, a secção "Cannes Classics" adquiriu uma importância decisiva no interior do Festival de Cannes: na 65ª edição do certame, as suas propostas voltam a ser estimulantes.

Tem o seu quê de desconcertante, sem dúvida. O certo é que não será arriscado prever que, no plano simbólico, alguns dos títulos marcantes de Cannes 2012 (começa hoje) serão "Lawrence da Arábia" (1962), de David Lean, "Tubarão" (1975), de Steven Spielberg, ou "Era uma Vez na América (1984), de Sergio Leone.

A apresentação de cópias restauradas desses filmes, integrada na vasta e estimulante oferta da secção "Cannes Classics", reflecte uma preocupação histórica e pedagógica que, há muitos anos, distingue o certame da Côte D'Azur. Que é como quem diz: revisitar as memórias cinéfilas, de modo a não perder a nossa ligação com o passado, estabelecendo renovadas pontes entre o velho e o novo.

Além do mais, este é também um processo (em evolução) que decorre da importância crescente dos restauros digitais. Na verdade, as novas tecnologias de registo e difusão dos filmes criaram oportunidades que, desde o mercado do DVD até aos consumos caseiros, estão a enriquecer as nossas formas de relação com o património cinematográfico.

Entre os outros títulos anunciados, incluem-se ainda, por exemplo, "A Balada de Narayama" (1958), de Keisuke Kinoshita (não confundir com a versão de 1983, assinada por Shohei Imamura), "Tess" (1979), de Roman Polanski, e "Final Cut - Mesdasmes & Messieurs", uma revisitação dos primórdios do cinema húngaro, com produção de Béla Tarr. Isto sem esquecermos a muito aguardada versão restaurada de "The Ring" (1927), um dos títulos mais míticos realizados por Alfred Hitchcock ainda no período mudo.

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publicado 08:39 - 16 maio '12

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