Oscar 09: o dia seguinte
"Quem quer ser bilionário": mais um passo em frente para derrubar fronteiras no cinema ou simples adoração de Hollywood pelo exotismo?

Cinema Norte-americanoOscar 2009  

Oscar 09: o dia seguinte

As estatuetas foram atribuídas a cidadãos de sete países diferentes. Nas categorias de representação só Sean Penn é norte-americano. O prémio de melhor longa-metragem foi para um filme realizado por um britânico, com actores indianos e uma história passada na India. E o apresentador foi um Australiano.


Globalização? Citando Sarah Palin, ex-candidata à vice-presidência dos Estados Unidos: You betcha!

Alguns comentadores americanos têm-se queixado de que os Oscars estão a perder relevância por nomearem e premiarem filmes que dizem muito pouco ao espectador médio do mercado doméstico. Inveja? Mau perder? Ou a consciência de que Hollywood, embora mantenha o valor simbólico e a função basilar da indústria, está lentamente a perder uma parte do domínio que exerceu durante décadas?

Não seria má ideia começar a somar factos:

- Spielberg a recorrer a investidores Indianos para financiar a sua Dreamworks;

- o sucesso e reconhecimento que realizadores e actores estrangeiros tem recebido é cada vez maior;

- a partir de finais dos anos 90 as receitas provenientes do resto do mundo ultrapassaram as que têm origem no mercado doméstico ;

- o desafio de produções locais ao domínio norte-americano em diversos mercados é cada vez mais frequente.

Esta indústria é tão imprevisível como o tempo em Londres, por isso, é arriscado lançar previsões. Mas os sinais estão aí.

Os executivos de Hollywood, essa massa indiferenciada que aglutina produtores, chefes de estúdio, financiadores, agentes e outras figuras, e que normalmente é acusada de todos os males que assolam a Meca do cinema, costuma ser lenta a reagir.

Neste caso, são os próprios pares, os membros da Academia, a apontar o caminho.

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publicado 10:10 - 24 fevereiro '09

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