Óscares 2018: os primeiros depois de Weinstein

 

Óscares 2018: os primeiros depois de Weinstein

Hollywood prepara a primeira gala de entrega dos prémios da academia após os escândalos por assédio sexual.

Artigo recomendado:
Óscares 2018: os primeiros depois de Weinstein
Óscares 2018 no feminino: tudo o que merecem? O aumento da presença e relevância das mulheres na indústria cinematográfica continua a ser tema na entrega dos prémios da academia ...

Hollywood prepara o seu maior ritual do ano com o romance fantástico "A Forma da Água" e o drama satírico "Três Cartazes à Beira da Estrada" como favoritos de uma cerimónia que deverá ficar marcada pelo escândalo que envolveu o poderoso executivo Harvey Weinstein.

A Academia de Artes e Ciências do Cinema, organizadora da entrega das prestigadas estatuetas, também estará sob pressão para não reproduzir o equívoco histórico no ano passado: o erro do anúncio de "LaLaland" como vencedor do Oscar de melhor filme, corrigido dois minutos depois com a revelação do verdadeiro vencedor ("Moonlight"), tudo no meio de um caos memorável.

O comediante Jimmy Kimmel, anfitrião da noite pela segunda vez consecutiva, prometeu que este fiasco não voltará a acontecer, ou "todas as pessoas que trabalham na ABC", o canal que exibe a cerimônia, "serão despedidas!".

"Não me lembro de um ano com tanta incerteza: há pelo menos quatro potenciais vencedores para o prémio pelo melhor filme", disse Tim Gray, um dos responsáveis pela cobertura da temporada de prémios em Hollywood para a publicação norte-americana Variety, em entrevista à AFP.

Com sete nomeações, incluindo melhor ator secundário (dupla nomeação para Sam Rockwell e Woody Harrelson) e melhor atriz (Frances McDormand), "Três Cartazes à Beira da Estrada", do britânico Martin McDonagh, é o favorito, de acordo com o site especializado Goldderby.com. McDonagh encenou com muito humor negro o luto e a raiva uma mãe que aluga três outdoors para pressionar a investigação da polícia sobre o assassinato da sua filha.

Compete com o filme de ficção científica de Guillermo del Toro, "A Forma da Água", o título que acumulou o maior número de nomeações (13). Espera-se que o mexicano vença na categoria de melhor realizador com este estranho conto sobre o amor entre uma mulher muda e uma estranha criatura em cativeiro.

A concorrência inclui ainda Christopher Nolan, com oito nomeações para "Dunkirk", o seu drama sobre Operação Dynamo, a evacuação desesperada do exército aliado da praia de Dunkirk em 1940.

"A Hora Mais Negra", também finalista no Oscar do Melhor Filme, conta o mesmo episódio da Segunda Guerra Mundial, mas visto desde Inglaterra e relata a batalha política travada por Churchill.

Gary Oldman, magnético - e irreconhecível debaixo de muita maquilhagem e silicone - é o favorito ao Oscar de melhor ator. E enfrenta o jovem franco-britânico Timothée Chalamet, de 22 anos, que seduziu Hollywood com o seu papel de adolescente apaixonado em "Chama-me Pelo Teu Nome".

Para este filme delicado e lânguido de Luca Guadagnino, o cineasta James Ivory poderá receber, aos 89 anos, o primeiro Oscar da sua longa e prestigiada carreira onde se incluem filmes como "Os Despojos do Dia", ou "O Regresso a Howards End". Com a mesma idade, a pioneira da Nova Vaga francesa, Agnès Varda, também pode ganhar um Oscar pelo seu documentário "Olhares, Lugares" co-realizado com o artista JR. Varda já recebeu uma estatueta honorária em novembro.

Do lado dos discursos, "certamente haverá política no monólogo inicial de Kimmel", assegura Tim Gray, acrescentando que os vencedores provavelmente falarão sobre os movimentos #MeToo e Time's Up, sobre o assédio sexual e a diversidade na indústria cinematográfica e #NeverAgain, contra a violência armada, na sequência dos recentes tiroteios na Flórida.

A edição 2018 dos Oscares tem lugar numa altura em que a indústria cinematográfica ainda se está a recompor das revelações sobre Harvey Weinstein, o produtor caído em desgraça após ser acusado por uma centena de estrelas, incluindo Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow, de diversas formas de assédio sexual.

O caso deu início a uma onda de revelações de onde resultou a queda de vários homens poderosos de Hollywood, incluindo Kevin Spacey e o produtor Brett Ratner.

A Academia expulsou Weinstein e prometeu reformas. E para não repetir a confusão do ano passado, que envolveu os apresentadores Warren Beatty e Faye Dunaway, a venerável instituição anunciou novos protocolos, "incluindo a introdução de ensaios (...) a remoção de dispositivos eletrónicos dos bastidores e melhorias na verificação da entrega dos envelopes com os nomes dos vencedores.

por

Recomendamos: Veja mais Artigos de