Paisagens de uma intimidade turca
Nuri Bilge Ceylan filma as paisagens da Anatólia como cenários de revelação das relações humanas

Cannes 2014: WINTER SLEEP, Nuri Bilge CEYLAN  

Paisagens de uma intimidade turca

Nuri Bilge Ceylan, cineasta turco que é um dos "habitués" de Cannes, regressa à competição com "Winter Sleep", uma notável viagem pelas zonas mais secretas do comportamento humano.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Paisagens de uma intimidade turca
Sono de Inverno Um ator reformado, gere um pequeno hotel no centro da Anatólia com sua jovem esposa, de quem está emocionalmente distante, e com a sua irmã que se encontra a recuperar de um divórcio recente. No inverno, a neve cobre a estepe, o hotel torna-se no seu refúgio, mas também no local das suas angústias...
Média Cinemax:
3

Foi no Festival de Cannes que o cineasta turco Nuri Bilge Ceylan se tornou um nome internacionalmente conhecido e reconhecido, aliás arrebatando dois Grandes Prémios (a distinção mais importante, logo depois da Palma de Ouro) com "Uzak - Longínquo" (2002) e "Era uma Vez na Anatólia" (2011). Agora, de novo na competição com "Winter Sleep", podemos dizer que Ceylan ressurge como um dos mais fortes candidatos aos prémios principais - em qualquer caso, o seu filme fica, desde já, como um dos momentos altos desta 67ª edição do certame.

Como várias vezes acontece ao longo da sua obra, Ceylan encena uma situação cujas componentes (melo)dramáticas envolvem profundas formas de solidão. Mais exactamente, "Winter Sleep" centra-se num triângulo afectivo, unindo/separando um ex-actor (Haluk Bilginer) que dirige um pequeno hotel da Anatólia central, a sua mulher (Melisa Sozen) em relação a qual se parece agravar uma violenta distância afectiva e a irmã (Demet Akbag) a tentar curar as feridas de um recente divórcio.

Apoiado em longos e elaborados diálogos, verdadeiros tour de force de revelação das personagens (e dos actores), "Winter Sleep" possui a estrutura e o fôlego de uma admirável aventura sobre as cumplicidades e distâncias dos seres humanos. Pontuando a acção com subtis referências a actualidade política e religiosa, Ceylan faz um filme que revaloriza, afinal, o retrato psicológico, mesmo se há nele uma energia metafórica profundamente universal. Num filme em que os elementos paisagísticos são tão importantes, poderemos dizer que deparamos também com os acidentes das paisagens mais secretas e íntimas. 

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publicado 11:54 - 17 maio '14

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