Palma de Ouro consagra A Árvore da Vida
Brad Pitt, actor e produtor de "A Árvore da Vida", de Terrence Malick

Cannes 2011  

Palma de Ouro consagra "A Árvore da Vida"

O filme "A Árvore da Vida", de Terrence Malick, arrebatou a Palma de Ouro do 64º Festival de Cannes — o realizador não apareceu para receber o prémio.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Palma de Ouro consagra A Árvore da Vida
A Árvore da Vida Na década de 50, Jack (Sean Penn), cresce dividido entre um pai autoritário e uma mãe terna e generosa. Assim que nascem os seus dois irmãos, esse amor incondicional, só seu, tem que ser dividido. Jack terá que aprender também a lidar com o comportamento de um pai que vive obcecado pelo sucesso dos filhos de uma forma muito pouco saudável. Este equilíbrio frágil é um dia perturbado por um ...
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O favoritismo de Terence Malick foi confirmado no desfecho do Festival de Cannes com a máxima consagração alguma vez atribuída ao cineasta norte-americano. Malick, 68 anos, cinco longas-metragens em quatro décadas de cinema, ganhou a Palma de Ouro. Tinha estado em Cannes, em 1978, com "Dias do Paraíso", e na altura saiu com o prémio de realização.

"Muitos de nós sentiram que este é o filme com a dimensão, a importância, a tensão... o que queiram chamar-lhe, ajustado a um prémio como a Palma de Ouro" - neste termos, Robert De Niro sublinhou a escolha, salientando aquilo que é evidente nesta competição.

Os diversos filmes levantaram questões actuais e pertinentes, mas a obra de Malick, tem uma dimensão poética, filosófica e transcendente que nenhuma outra alcança. A tal dimensão, a que se referiu De niro.

A consagração era sobretudo porque este filme chegou a ser apontado como uma das obras a incluir na selecção oficial de 2010. Malick continua a construir a sua lenda de cineasta apurado, meticuloso. Mas também de autor recluso. Esteve algures em Cannes quando o filme foi mostrado na competição, mas não apareceu na conferência de imprensa de apresentação de "A Árvore da Vida"(foi o segundo realizador na história do festival a faltar a esse encontro com os jornalistas).

Na gala de encerramento e entrega dos prémios Malick continuou a ser um ausente. The Man Who Wasn't There. Entregou a tarefa aos produtores, Sarah Green, Luc Besson, Dede Gardner e Bill Pohlad que esteve ao telefone com o realizador: "falei com ele hoje e claro que ele continua a ser tímido, discreto e profundamente humilde".

O grande prémio do júri, segundo mais importante do palmarés, foi atribuído, em ex-aequo, ao turco Nuri Bilge Ceylan (“Once Upon a Time in Anatolia”) e aos belgas Jean Pierre e Luc Dardenne (“Le Gamin au Vélo”). Desta forma os irmãos Dardenne confirmam a a sua tendência para obter prémios em Cannes, surgindo no palmarés de 2011 depois de terem ganho duas Palmas de Ouro em edições anteriores.

Kirsten Dunst posa ao lado de Edgard Ramirez após ter recebido o prémio de interpretação (Foto: AFP/Getty Image)

Polémica em torno de Lars Von Trier não prejudica Kirsten Dunst

Nas categorias de interpretação destacou-se a consagração da norte-americana Kirsten Dunst, provando que a polémica em torno das declarações de Lars Von Trier, que levaram o festival a declará-lo persona non grata, não afectaram o modo como o júri olhou para o filme “Melancholia”. 

Dunst não compareceu na conferência de imprensa dos premiados, para evitar mais questões políticas, e no discurso de agradecimento foi lacónica: “obrigado por este prémio que é uma honra e uma oportunidade de uma vida para uma actriz, e obrigado ao festival de Cannes por ter permitido ao filme estar em competição”.

O prémio valoriza a competência de Von Trier para escrever papéis femininos – Dunst é a terceira actriz dirigida pelo dinamarquês a receber prémio de interpretação em Cannes, sucedendo a Bjork (“Dancer in The Dark”) e Charlotte Gainsbourg (“Anticristo”).

O cinema francês marca dupla presença no palmarés através de Jean Dujardin, premiado como melhor actor pelo desempenho na comédia musical “The Artist”, de Michel Hazanavicius, e de um prémio do júri que distinguiu “Polisse”, o terceiro filme realizado por Maiwënn, actriz e filha de Luc Besson.

O prémio de argumento consagrou o israelita Joseph Cedar (“Footnote”) e o de realização premiou o jovem de origem dinamarquesa Nicolas Winding Refn pelo filme de acção “Drive”. 

Palmarés 64º Festival de Cannes 2011

* PALMA DE OURO - A ÁRVORE DA VIDA, de Terrence Malick (EUA)

* GRANDE PRÉMIO DO JÚRI (ex-aequo) - LE GAMIN AU VÉLO, de Jean-Pierre e Luc Dardenne (Belgica) e ONCE UPON A TIME IN ANATOLIA, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia)

* REALIZAÇÃO - Nicolas Winding Refn, por DRIVE (EUA)

* ACTOR - Jean Dujardin em THE ARTIST, de Michel Hazanavicius (Franca)

* ACTRIZ - Kirsten Dunst em MELANCHOLIA, de Lars von Trier (Dinamarca)

* ARGUMENTO - Joseph Cedar, por FOOTNOTE, de Joseph Cedar (Israel)

* PRÉMIO DO JÚRI - POLISSE, de Maiwënn (Franca)

* PALMA DE OURO (curtas-metragens) - CROSS, de Maryna Vroda (Ucrania)

* CÂMARA DE OURO (primeiras obras) - LAS ACACIAS, de Pablo Giorgelli (Argentina)

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