Panorama: assim se vê a força do doc.

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Panorama: assim se vê a força do doc.

Dez dias com filmes, debates, festas e muitas oportunidades de ver o melhor da produção documental portuguesa do ano passado e do período pós 25 de Abril.

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Nesta 5ª Mostra do Cinema Documental Português, o Panorama coloca e questiona a relação com o mundo à sua volta, tornando evidente que o documentário nacional não tem cumprido com o seu papel de intervenção política. "É urgente" relembrar a sua "força", numa altura de "grande conturbação política e social", frisa Inês Sapeta Dias, a programadora da mostra Panorama.

"Os documentários, e o cinema em geral, são cada vez menos politizados, menos assumidos", lamenta a programadora, vincando que este é "o ano certo" para se fazer a pergunta de fundo do Panorama deste ano - "Como se relaciona o documentário português com o mundo de hoje?" -, até "pelo que se está a viver neste momento, a nível social, em Portugal".

O documentário, realça, "não tem mantido" uma intervenção política e, portanto, é "urgente relembrar que o documentário tem, pode ter, esse papel", porque é "nos momentos de grande conturbação política e social" que "o documentário se torna o género cinematográfico por excelência", sustenta

Na programação central da mostra estão previstas algumas estreias, nomeadamente "Emboscada por Dez Lados", de Vítor Jorge Alves (2010), "Golden Dawn", de Salomé Lamas (2010), "IP3", de José Costa Barbosa (2010), "A Banana do Pico", de Luís Bicudo (2010), e "Cátia Sofia", de Miguel Clara Vasconcelos (2010).

A secção Percursos no Documentário Português propõe a revisitação do cinema no pós-Abril, durante o PREC (Processo Revolucionário Em Curso), período em que os documentários acompanharam, a quente, um momento de mudança.

"São filmes muito implicados politicamente e interventivos, que querem não só documentar, mas também alterar o rumo das coisas", analisa Inês Sapeta Dias.

A preocupação dos documentaristas daquela época não está em "servir uma ideia de ficção, muito facilmente controlável por uma ideologia ou por um Estado", mas em "filmar a realidade e isso ser, para eles, uma forma de resistência e de intervenção".

Nesta secção Percursos no Documentário Português no pós-Abril haverá a oportunidade para rever obras como "Cenas da Luta de Classes em Portugal" (1976), de Philip Spinelli e Robert Kramer - filme que abrirá a Mostra -, "O Encoberto" (1975), de Fernando Lopes, "Deus, Pátria e Autoridade"(1975), de Rui Simões, ou "Que Farei eu Com Esta Espada" (1975), de João César Monteiro. Ao longo da mostra estão previstos vários debates com os realizadores.

A 5ª Mostra do Documentário Português Panorama vai decorrer de 1 a 10 de abril no Cinema São Jorge, em Lisboa.


Ligação com interesse > sítio oficial do Panorama

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