Para descobrir algumas preciosidades do cinema japonês
"Cada um na sua Cova" é um dos clássicos japoneses agora no mercado português

Clássicos  

Para descobrir algumas preciosidades do cinema japonês

Três clássicos do cinema japonês, todos com data de 1955, até agora praticamente desconhecidos: "Mestres Japoneses Desconhecidos" é uma magnífica aposta de distribuição e exibição.

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Estreias
Para lá do documentário e da ficção Filmado em Lanheses, Viana do Castelo, o filme "O Movimento das Coisas", de Manuela Serra, chega finalmente às salas — foi preciso esperar ...

Os distribuidores independentes continuam a ter um papel importante na preservação de um fundamental valor de mercado: a amostragem da diversidade cultural do cinema. Mais do que isso: a recuperação de preciosas memórias clássicas.

Acontece agora com as estreias de três títulos preciosos do cinema clássico japonês. E o que importa sublinhar antes do mais é esse facto de serem estreias — três produções de 1955 que nos ajudam a perceber que a excelência dos mestres "tradicionais" (a começar por Mizoguchi, Kurosawa e Ozu) não basta para conhecermos a riqueza e os contrastes da história do cinema japonês:

* O MENINO DA AMA, de Tomotaka Tasaka — Retrato de uma jovem que, para saldar uma dívida de gratidão, presta serviço a uma família de Tóquio, nesse processo estabelecendo uma relação privilegiada com o filho mais novo.

* MULHERES DE GINZA, de Kôzaburô Yoshimura — Viagem pelos bastidores de uma residência de gueixas que revela as hierarquias entre homens e mulheres, numa teia em que afectos e dinheiro se cruzam de forma inevitável, por vezes perversa.

* CADA UM NA SUA COVA, de Tomu Uchida — O universo de uma viúva com os seus dois filhos serve também para desmontar as leis do masculino/feminino, ao mesmo tempo questionando os valores que gerem (ou esvaziam) as relações humanas.


Com chancela da distribuidora The Stone and the Plot — a quem se deve a recente redescoberta de "O Movmento das Coisas" (1985), de Manuela Serra — este ciclo de "Mestres Japoneses Desconhecidos" permite detectar duas fundamentais componentes temáticas: a herança dramática da Segunda Guerra Mundial e as tensões expostas (e, sobretudo, ocultas) entre as gerações.

Estamos perante três filmes que, afinal, reflectem o rigor de uma aproximação realista (será o termo pertinente no interior da história mais geral do cinema japonês?...) cujos ecos temáticos e estéticos se intensificam no nosso presente. Afinal de contas, a história do cinema é um processo sempre em aberto.
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* Os três filmes estão no Cinema City Alvalade, em Lisboa (até 10 de novembro), seguindo depois para o Teatro Municipal Campo Alegre, no Porto (11-17 novembro).

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publicado 23:36 - 04 novembro '21

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