Para redescobrir Godard
"Tudo Vai Bem": a sociedade e as suas linguagens, 1972

DVD  

Para redescobrir Godard

"Fim de Semana" e "Tudo Vai Bem" são dois títulos marcantes do trabalho de Jean-Luc Godard na transição das décadas de 1960/70: a sua edição em DVD permite redescobrir um dos génios do cinema moderno.

Mesmo com todas as crises que afectam as formas de consumo do cinema, o mercado do DVD continua a proporcionar algumas (re)descobertas fascinantes. É o caso, agora, das edições de "Fim de Semana" (1967) e "Tudo Vai Bem" (1972), de Jean-Luc Godard (ambos com chancela da Films4You).

São dois títulos absolutamente nucleares na evolução da obra de um dos maiores autores da história moderna do cinema. Desde logo, porque podem balizar a dimensão política do seu cinema e, em particular, a sua percepção da França pré e pós-Maio 68.

"Fim de Semana" entrou mesmo para a história como um objecto permonitório de Maio 68. Lançado em França a 29 de Dezembro de 1967, centrando-se nas atribulações de um casal da classe média (Jean Yanne/Mireille Darc), o filme traça o retrato cru e desencantado de uma sociedade de consumo de crescente desumanização  — o resultado, mesmo começando numa certa observação sociológica, desemboca numa fábula de cariz apocalíptico.

"Tudo Vai Bem" relançou Godard nos terrenos da grande indústria. Depois de "Fim de Semana", a sua obra abriu-se a temas explicitamente políticos (por alguma razão entrou na chamada "fase militante") para, depois de uma série de filmes produzidos por várias televisões europeias, considerar ser importante regressar ao cinema das... estrelas. E convocando duas das maiores do começo dos anos 70: o francês Yves Montand e a americana Jane Fonda. Ele como cineasta, ela como jornalista, vivem um drama em que as lutas sociais se cruzam com a discussão da linguagem e do seu papel nas relações humanas. Pormenor de tocante simbolismo: com o seu cenário em corte, como se fosse um palco teatral, este é o filme em que Godard homenageia directamente Jerry Lewis (que, em 1961, utilizara o mesmo dispositivo cenográfico em "O Homem das Mulheres").  

Em resumo: mesmo na sua singeleza (não há extras em nenhum dos DVDs), estamos perante duas das mais importantes edições deste ano, ajudando-nos a compreender algumas componentes essenciais da dinâmica da França e, afinal, das sociedades europeias na transição das décadas de 1960/70.

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publicado 18:18 - 13 agosto '13

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