Para redescobrir Jacques Demy

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Para redescobrir Jacques Demy

Finalmente, o mercado português do DVD tem uma edição que nos permite aceder ao universo de Jacques Demy, nome grande da Nova Vaga francesa

"Os Chapéus de Chuva de Cherburgo" (1964), de Jacques Demy, é um daqueles clássicos que, perversamente, tende a ser apagado das nossas memórias. Primeiro, porque se trata de um musical e o género é quase sempre identificado apenas com a produção clássica de Hollywood; depois, porque na altura da sua produção — a época gloriosa da Nova Vaga francesa — outros filmes adquiriram maior evidência jornalística ou polémica.

Pois bem, "Os Chapéus de Chuva" está finalmente disponível em DVD, para mais numa edição que revisita a obra ímpar de Demy. O filme foi editado numa caixa que inclui ainda:
— "As Donzelas de Rochefort" (1967), outro momento alto do mesmo conceito musical de cinema;
— "A Princesa Pela de Burro" (1970), mais do que um musical, um objecto que celebra a relação particular de Demy com o mundo tradicional das fábulas;
— "Jacquôt de Nantes" (1991), de Agnès Varda, longa-metragem que combina de forma admirável documentos e cenas "ficcionadas" para nos ajudar a descobrir a complexidade humana da personalidade e do universo de Jacques Demy (1931-1990).

São filmes que nos permitem também redescobrir alguns nomes vitais, não apenas da obra de Demy, mas da genealogia moderna do cinema francês. Desde logo, Catherine Deneuve e sua irmã Françoise Dorléac: são elas o par inesquecível de "As Donzelas" (Françoise viria a falecer, num acidente, ainda no ano de 1967), com a própria Deneuve a protagonizar os outros dois títulos. Além do mais, em todos estes filmes Demy trabalhou com o compositor Michel Legrand, exemplo de um criador que soube sintetizar influências que vão da chanson ao jazz, transformando-se num notável autor de música para cinema.

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