Para rever o romantismo de Leos Carax
Juliette Binoche em "Les Amants du Pont Neuf": foi em 1991

Lisboa & Estoril Film Festival  

Para rever o romantismo de Leos Carax

Autor de títulos marcantes como "Boy Meets Girl", "Les Amants du Pont neuf" e "Pola X", o realizador francês Leos Carax é uma presença marcante na programação do Lisbon & Estoril Film Festival.

Cumprindo e reforçando a sua vocação de espaço de redescoberta de cineastas menos divulgados, o Festival do Estoril (agora, também de Lisboa) dá a ver a obra de Leos Carax, sem dúvida um dos grandes "marginais" do moderno cinema francês. Aliás, mais do que de "marginalidade", talvez devamos falar do carácter inclassificável do seu trabalho: Carax é, de facto, um não-alinhado.

E bastará evocar o notável "Pola X" (1999), feito a partir do romance "Pierre ou les Ambiguités", de Herman Melville. Muito para além de qualquer lógica convencional de adaptação, Carax transfigura a tragédia romanesca, estranhamente incestuosa, de uma mãe e seu filho, para construir uma espécie de épico interior através do qual são convocados e superados todos os limites do clássico melodrama.

Em boa verdade, Carax é um obcecado da escrita melodramática, sempre empenhado em aplicá-la para desafiar os enigmas do factor humano e reafirmar um romantismo ambíguo e magoado. Assim foi na sua longa-metragem de estreia, "Boy Meets Girl" (1984), actualização de um certo espírito, muito Nouvelle Vague, de tratamento do par. Assim foi também em "Les Amants du Pont-Neuf" (1991), um requiem pelo romantismo de Paris, além do mais uma das composições fulcrais de toda a carreira de Juliette Binoche.

Nascido nos subúrbios de Paris, em 1960, Carax é um daqueles filhos errantes da Nova Vaga francesa, tentando construir o seu cinema entre as memórias das transformações da década de 60 e um gosto pelo glamour dos filmes da idade de ouro (recorde-se que, em "Pola X", Catherine Deneuve é uma presença fundamental). Num certo sentido, ele é um criador que inventou a sua própria escola. Com um tema central: a solidão.

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publicado 00:48 - 05 novembro '11

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