Crítica: NOME DE CÓDIGO: PAULETTE  

Paulette, a avó narcotraficante

Uma comédia francesa espelha uma consequência da crise na Europa e o modo como as limitações do estado social não escolhem idades e empurram os idosos para situações limite.

Paulette, a avó narcotraficante
Bernadette Lafond é Paulette: a necessidade aguça o engenho...
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Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Paulette, a avó narcotraficante
Nome de Código: Paulette Paulette vive sozinha num bairro de habitação social e recebe uma magra reforma, com a qual tem dificuldade em chegar ao fim do mês. Uma noite dá-se conta dos estranhos negócios que decorrem no seu prédio. É aí que decide lançar-se na venda de haxixe e, como em tempos foi uma reputada pasteleira, vai encontrar formas originais de começar uma nova carreira!

O realizador Jerôme Enrico acompanha uma velhota que se torna na dealer mais popular de um bairro de subúrbio em França. O que podia ser uma história impossível de acreditar é uma aproximação às dificuldades que surgem numa Europa em crise que tenta sobreviver à austeridade e às reformas que deixam desamparadas algumas franjas sociais.

Paulette é uma idosa num bairro de subúrbio em França, que vive de uma reforma que já não chega para o sustento. Rodeada de pequenos criminosos e de uma legião de desempregados que vive de atividades pouco recomendáveis, Paulette percebe que o negócio de haxixe pode valer mais do que a reforma e garantir-lhe alguma comodidade.

Jerôme Enrico e a actriz Bernadette Lafond criam uma personagem de culto, uma idosa de mau feitio, racista e mesquinha que culpa todos os estrangeiros pela situação de miséria em que vive e pela desgraça do país. Fria, implacável e com pouca moral, Paulette parece ser a heroína ideal para enfrentar os nossos dias.

Traída pelo próprio sistema que já não consegue cuidar dela e amparar a sua velhice, mas pragmática e determinada, é o tipo de personagem que leva o público a torcer para que seja bem sucedida.

O filme que passou na abertura da Festa do Cinema Francês é uma comédia ligeira, com resquícios de retrato social tirado a uma realidade cada vez mais frequente devido aos casos consetuvivos de traficantes de meia-idade que são apanhados e detidos por traficar droga.

É um sinal dos tempos e Paulette uma mulher em sintonia com uma Europa em crise.

Crítica de Lara Marques Pereira actualizado às 17:43 - 19 abril '13
publicado 17:42 - 19 abril '13

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