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Pelos caminhos dos clássicos

A fábula de "A Bela e o Monstro" está de volta às salas escuras numa versão proposta, uma vez mais, pelos estúdios Disney — Emma Watson é a nova Bela, num filme que sabe manter-se fiel às exigências clássicas da fábula.

Pelos caminhos dos clássicos
"A Bela e o Monstro" — 26 anos depois da versão em desenhos animados
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 Pelos caminhos dos clássicos
A Bela e o Monstro O filme "A Bela e o Monstro” é uma adaptação em imagem real do clássico de animação. Esta versão moderniza as personagens clássicas para um público contemporâneo, mantendo-se fiel à música original e atualizando a banda sonora com novas canções. "A Bela e o Monstro” é sobre a fantástica história de Bela, uma jovem brilhante, bonita e independente, que é aprisionada por um Monstro no seu castelo. ...

Convenhamos que não era fácil... Ao apostar na recuperação de "A Bela e o Monstro", agora com actores de carne e osso, os estúdios Disney não se limitavam a colocar a fasquia bem alto — afinal de contas, a versão animada, lançada em 1991, é uma das referências lendárias da sua história moderna. Ao mesmo tempo, tratava-se de um confronto com um texto emblemático do universo das fábulas, publicado em 1756 por Jeanne-Marie Leprince de Beaumont.

O menos que se pode dizer do novo filme é que se trata de uma das melhores "transposições" do desenho para a imagem real, a par de "Maléfica" (2014), com Angelina Jolie. Claro que a estrutura do desenho animado foi conservada de modo quase obsessivo, aliás reintegrando as magníficas canções compostas pela dupla Alan Menken/Howard Ashman. Em qualquer caso, não estamos perante uma mera cópia, antes face a uma celebração dos próprios meios de fantasia que o cinema proporciona.

Nesta perspectiva, a realização de um cineasta tão irregular como Bill Condon tem o mérito da eficácia (foi ele que dirigiu, por exemplo, os dois medíocres capítulos finais da saga "Twilight"). Dito de outro modo: tratava-se de tirar o máximo partido das possibilidades de espectáculo do estúdio, com todas as formas de manipulação hoje em dia disponíveis, sem menosprezar a dimensão clássica da fábula.

Será esse, aliás, o aspecto mais feliz desta nova versão: sustentar o misto de encanto e perturbação decorrente da história da Bela que poderá devolver o Monstro à sua figura humana, sem nunca alienar o fôlego musical de todo o projecto. Com alguma ironia, podemos mesmo considerar que, depois do impacto de "La La Land", encontramos em "A Bela e o Monstro" uma muito mais interessante reconversão do género musical.

Emma Watson garante a conjugação de sobriedade e alegria que a personagem de Bela exige, sendo Dan Stevens um Monstro que resiste ao facto de, na prática, quase só o vermos em versão "monstruosa". Sublinhe-se também a riqueza das vozes, com destaque para Ewan McGregor e Ian McKellen, respectivamente como o Candelabro e o Relógio que habitam o castelo do Monstro. Isto sem esquecer o admirável Kevin Kline, num regresso que se celebra como pai de Bela.

Além do mais, esperemos que este retorno a "A Bela e o Monstro" possa trazer novos espectadores à belíssima versão de 1946, assinada por Jean Cocteau — Josette Day e Jean Marais eram os intérpretes principais.

Crítica de João Lopes
publicado 02:21 - 16 março '17

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