Portugal clandestino, improvisado, no seu pior
Fernando Luis e Chulpan Khamatova, o par central de "América"

Estreia: "América"  

Portugal clandestino, improvisado, no seu pior

O submundo da imigração clandestina em Portugal é retratado em “América” de João Nuno Pinto. Através de uma trama familiar, o filme, em exibição nas salas de cinema, representa o sonho e a desilusão dos que procuram noutro país uma vida melhor.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Portugal clandestino, improvisado, no seu pior
América Vítor (Fernando Luís) é um burlão sem muito talento, que vive de esquemas e a tentar enganar velhinhas. Casado com uma jovem imigrante russa, Liza (Chulpan Khamatova), sente a sua chama vigarista reacender-se quando a sua ex-mulher, uma andaluz tempestuosa, regressa a Portugal. Liza vê a sua casa transformada num corrupio de bandidos, falsários e imigrantes, todos à procura de uma vida melhor… ...
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Carla Henriques entrevista João Nuno Pinto sobre "América"
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João Nuno Pinto sobre "América" Portugal pode ser a América? E o que torna a Cova do Vapor num local cinematográfico? Luisa Sequeira entrevista o realizador de "América".

Rodado a partir de um conto da escritora Luísa Costa Gomes, a primeira longa-metragem de João Nuno Pinto, tem como ponto de partida a realidade portuguesa, de um ponto de vista peculiar: "o Portugal dos desenrascados e do improviso", miscigenado por varias nacionalidades, línguas e culturas.

A imigração em Portugal, é um tema transversal a outros países , onde milhares de imigrantes tentam entrar diariamente, apesar de o caso português ter das leis mais avançadas a nível de legalização e integração, para o cineasta “as coisas não funcionam”. "América" mostra por isso uma cenário concreto, mas poderia ser um filme gravado em qualquer parte do mundo.

Por ter nascido em Moçambique, o realizador, sente que a sua pertença não é confinada a Portugal, a onde chegou ainda criança, pelas mãos dos pais. João Nuno Pinto sabe o que é largar as origens e conhecer um território estranho, razão pela qual quis que a sua primeira longa-metragem abordasse a temática da imigração.

O guião do filme segue esse percurso num Portugal contemporâneo, localizado no bairro da Cova do Vapor, na Costa de Caparica. O cenário de "América" faz parte da adolescência do realizador, que olha para o local como um exemplo da "criatividade popular" de construção clandestina e improvisada, junto às aguas do Tejo e do Atlântico.

Num misto de drama e ironia, a longa-metragem traça o olhar que João Nuno Pinto tem perante a vida: "o equilíbrio entre a leveza e o peso do quotidiano". O argumento do filme passa por uma imigrante russa casada com um burlão, que vive de esquemas, e que vê a sua casa tornar-se num ponto de passagem da imigração ilegal. Em "América", há redes de falsificação de documentos, máfia russa, sonhos, desilusões e promessas.

Com um vasto elenco de actores, de várias nacionalidades, o filme é protagonizado por Fernando Luís, Chulpan Khamatova, Dinarte Branco, Maria Barranco e Cassiano Carneiro. "América" é também o último trabalho em cinema de Raul Solnado, que desempenha a personagem de Melo, um falsificador de passaportes. Para João Nuno Pinto trabalhar com Raul Solnado "foi uma lição de talento, humildade e humanismo".

Co-produzido entre Portugal, Espanha, Brasil e Rússia, o filme “América” venceu o prémio Melhor Realização no Festival Internacional de Cinema de Sofia e o prémio AIP de Melhor Imagem para Longa Metragem Portuguesa, no 8º IndieLisboa 2011.


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