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Realismo americano, realismo sul-coreano

Encenando a odisseia de uma família da Coreia do Sul a tentar estabilizar a sua vida na América dos anos 80, "Minari" valeu à veterana Yuh-Jung Youn o Oscar de melhor actriz secundária.

Realismo americano, realismo sul-coreano
Alan Kim e Steven Yeun: uma família sul-coreana na América de Ronald Reagan
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 Realismo americano, realismo sul-coreano
Minari Uma terna e arrebatadora história sobre o que nos faz criar raízes, "Minaria" companha uma família coreana-americana que se muda para uma pequena quinta no Arkansas em busca do seu próprio sonho americano. A casa da família sofre uma enorme mudança com a chegada da avó, matreira e desbocada, mas extremamente carinhosa. Por entre a instabilidade e os desafios desta nova vida nas rudes montanhas ...

Convenhamos que o mundo global em que vivemos (ou imaginamos viver) relançou um cliché narrativo: cada história que se conta nasce, ou pode nascer, das "diferenças" culturais entre os protagonistas e o contexto em que evoluem... Dito de outro modo: o "elogio da diferença" está em todos os discursos, dos mais ousados aos mais conformistas.

Convenhamos também que "Minari" merece o benefício da dúvida. Mais do que isso: o filme realizado pelo americano, de ascendência sul-coreana, Lee Isaac Chung nasce de um real e sincero empenho em não reduzir as personagens a estereótipos ou as situações a simbologias esquemáticas — e para tal não será indiferente, por certo, o facto de este ser um projecto que integra algumas componentes autobiográficas.

A história da família da Coreia do Sul que se instala numa zona rural do Arkansas, corria o ano de 1983, com Ronald Reagan na presidência dos EUA, existe, assim, como uma colagem de momentos de delicado realismo. A sua envolvência é tanto maior quanto tudo decorre, não de abstracções "temáticas", mas de questões práticas muito simples: como equilibrar o trabalho na fábrica com as tarefas caseiras, onde escavar um poço para ter água para as plantações...

No seu controlado minimalismo, o olhar de Lee Isaac Chung possui uma crença fundamental: são os actores (entenda-se: as personagens) que definem a ambiência de cada cena. E todos se distinguem pela singularidade da sua presença, a começar pelo pequeno Alan Kim, muito longe de qualquer caracterização pitoresca da infância. Sem esquecer, claro, os intérpretes dos pais, Han Ye-ri e Steven Yeun (nosso conhecido de "The Walking Dead"), e a veterana Yuh-Jung Youn, distinguida com o Oscar de melhor actriz secundária.

Crítica de João Lopes
publicado 19:43 - 14 maio '21

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